O Ministério Público Federal no Rio começa a ouvir hoje os primeiros depoimentos no inquérito que apura a possível improbidade administrativa de ex-integrantes do governo federal na privatização do sistema Telebrás. Para hoje estão previstos os depoimentos de Daniel Dantas e Persio Arida, sócios do banco Opportunity. O consórcio comandado pelo Opportunity venceu o leilão da Tele Centro Sul e foi derrotado no leilão da Tele Norte Leste pelo consórcio Telemar.
Amanhã devem ser interrogados o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) André Lara Resende e o presidente da Previ (o fundo de pensão dos empregados do Banco do Brasil), Jair Bilachi. O ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros e o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira também serão convocados a depor.
A improbidade administrativa se caracteriza pela conduta irregular no exercício de uma função pública, mas não constitui crime. As sanções vão de multa a perda dos direitos políticos. Essa investigação, conduzida pelos procuradores Daniel Sarmento, Rogério Nascimento e Flávio Paixão, apura se houve favorecimento de empresas do setor privado na privatização das teles.
Os procuradores querem saber qual a participação dos envolvidos no leilão e que conduta eles tiveram. Os procuradores não partem, porém, das conversas grampeadas entre Mendonça de Barros e seus assessores. Como resultaram de escuta clandestina - um crime -, as fitas com as conversas não servem como prova.
Para os procuradores, as declarações públicas dos envolvidos são o ponto de partida. No depoimento ao Senado, Mendonça de Barros disse, por exemplo, ter ‘‘preferência pessoal’’ pelo consórcio do Opportunity. Há uma outra investigação em curso no Ministério Público, sigilosa e com participação da Polícia Federal, para apurar a autoria do grampo. Todos os envolvidos no escândalo do grampo deixaram o governo.
A investigação sobre improbidade administrativa, porém, independe da continuidade deles nos cargos. O empresário Carlos Jereissati, do grupo La Fonte, também prestaria depoimento hoje no inquérito sobre a improbidade administrativa, mas seus advogados solicitaram adiamento, alegando que ele está fora do país. O grupo La Fonte integra o consórcio Telemar. O ex-vice-presidente do BNDES José Pio Borges, que tinha depoimento marcado para hoje, pediu adiamento e deverá ser ouvido no dia 7 de dezembro.Arquivo FolhaNa escutaO ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros também será convocado para depor sobre leilõesFernanda da Escóssia
Agência Folha

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