MP ouve fitas de grampo que estavam com coronel
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O Ministério Público Federal (MPF) vai ouvir segunda-feira trechos das fitas obtidas por meio de escuta telefônica apreendidas com o coronel reformado da Aeronáutica Eudo Costa Santos. Os procuradores Silvana Batini e Artur Gueiros, responsáveis pelo inquérito criminal que apura a autoria do grampo no BNDES, vão verificar se há ligação entre os dois casos.
As fitas - cerca de 2 mil - foram apreendidas pela polícia na segunda-feira e estavam em 30 caixas, dentro da Van na qual estavam o coronel e o filho dele, Eudo Costa Santos Filho. No carro, havia também sete malas com equipamentos de escuta. O coronel é dono da Air Phoenix Sistemas de Segurança e, segundo informou à polícia, presta serviços contra cola eletrônica para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
O vice-diretor da Polícia Federal (PF), Wantuir Francisco Brasil Jacini, está no Rio para cuidar do assunto. Segundo o titular da Delegacia de Crimes Organizados e Inquéritos Especiais (Delecoie), Eduardo da Matta, nas fitas ouvidas até agora, não foi possível definir se os diálogos foram gravados de telefones celulares ou convencionais.
No caso do grampo no BNDES, a PF está começando a abandonar a teoria de acordo coma qual a escuta foi posta no aparelho telefônico da presidência do banco - o que facilitaria a investigação porque é um local de acesso mais restrito. Os técnicos que vêm examinando as fitas constataram que o grampo seria bloqueado pela central telefônica, impedindo a gravação.


