O Ministério Público (MP) começou a investigar em outubro passado o suposto vazamento de informações sigilosas de dentro da Sercomtel. No dia 1º daquele mês, agentes da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) prenderam em flagrante por porte ilegal de munição o detetive particular Paulo Rodrigues, que recentemente mudou-se de Londrina por Maringá.
Na ocasião, a PIC localizou com Rodrigues cópias de documentos sigilosos da Sercomtel, entre as quais mais de 100 ofícios judiciais solicitando quebra de sigilo telefônico. No desenrolar das investigações, a Promotoria ouviu funcionários da empresa que confirmaram que o presidente, João Rezende, havia solicitado fotocópias do mesmo tipo dois dias antes da prisão de Rodrigues. O delegado que presidiu o inquérito, Alan Flore, admitiu não haver provas de ligação entre os dois indiciados, mas argumentou que Rezende não poderia ter tido acesso aos ofícios e não ter provado a destruição dos mesmos.
Por sua vez, o presidente da telefônica alega que, por sua condição, teria poderes para o procedimento adotado. Ontem, no depoimento, ele voltou a afirmar que não conhece Rodrigues.
Os promotores ofertaram a denúncia em 27 de março, aceita pelo juízo da 3 Vara Criminal em 26 de abril. Também denunciado por quebra de sigilo, o detetive será ouvido no próximo dia 9 de agosto, na 3 Vara Criminal de Maringá, por meio de carta precatória. A informação é do advogado dele, André Luiz Salvador. Ele nega as acusações contra o detetive. ''Uma pessoa deixou esses ofícios para ele para o prejudicar'', declarou, quando da denúncia aceita. (J.G.)

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