MP oferece nova denúncia contra vereadores
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segunda-feira, 07 de abril de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A doação fracassada de um terreno público ao empresário Ângelo Marcelo Caldarelli, em dezembro de 2005 - medida revertida por liminar judicial, meses depois - trouxe à baila, ontem à tarde, nova denúncia de concussão e formação de quadrilha contra atuais e ex-integrantes da Câmara de Vereadores de Londrina. Desta vez, porém, e nas palavras da Promotoria, há um ''plus'': além dos dois crimes, que podem render até oito anos de prisão, a inicial incluiu também denúncia de suposta lavagem de dinheiro, ilícito que prevê reclusão de três a 10 anos, mas cuja pena pode aumentar de um a dois terços quando cometido por organização criminosa.
A denúncia foi protocolada à tarde pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) juízo da 3 Vara Criminal de Londrina - a mesma onde depuseram ontem de manhã vereadores e ex-vereadores já denunciados pela Promotoria por bando e concussão em janeiro passado. Na nova denúncia, o ex-vereador Orlando Bonilha (PR) e os afastados Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin (PMDB) são acusados de concussão e lavagem de dinheiro, crime este do qual é acusado também o ex-assessor parlamentar do peemedebista, Júlio César de Lima Romagnolli, denunciado também por formação de quadrilha. Os demais não o foram, segundo os promotores, por já constarem como supostos membros desse mesmo 'bando'' na ação penal de janeiro.
O documento se baseou no inquérito policial que, na última quinta, indiciou os quatro dentro da investigação que vinha transcorrendo desde fevereiro. No alvo do Gaeco estava a tramitação da lei que autorizou a doação de um terreno de mais de 3,2 mil m2 às margens do Lago Igapó I a Caldarelli - conforme o inquérito, medida que teria, na verdade, sido utilizada para arrecadar propina destinada a quitar parte de uma dívida particular da qual Bergamin e Araújo eram avalistas. O débito fora contraído pelo ex-presidente da Câmara Célio Guergoletto com o comerciante Mauro Borsali, que efetuou a cobrança em juízo. Presidente da Casa à época em que o projeto foi protocolado e aprovado, Bonilha também foi quem assinou a escritura que oficializou a doação ao empresário, durante a interinidade no Executivo, em dezembro de 2006. Conforme o relatório final das investigações, o ex-vereador ainda teria recebido R$ 6 mil em dinheiro pagos pelo irmão de Caldarelli uma hora antes da votação da matéria.
Já Romagnolli, segundo o Gaeco, teria recebido um cheque de R$ 6 mil em sua conta, supostamente ligado à exigência da propina, valor que acabou devolvido por falta de fundos.
Entre o suposto pagamento de propina e parte da dívida particular que teria sido quitada com Caldarelli - com três terrenos de Araújo, avaliados cada um em cerca de R$ 8 mil -, a denúncia formulada ontem estima que R$ 30 mil teriam sido extorquidos do empresário.
De acordo com o promotor Cláudio Esteves, apesar de terem sido quatro os depoimentos do empresário, ''em todas há uma linha de coerência robustecida por documentação que comprovam os delitos''. ''Há desde cheques referentes a depósitos, a documentos apreendidos e periciados (referência a uma lista com os nomes de nove edis, contra cinco dos quais não houve evidências de crime)'', disse. Já o promotor de Defesa do Patrimônio, Renato Castro, confirmou que nos próximos dias essa denúncia deve ensejar o ingresso de ação civil pública de improbidade administrativa. ''Como é fato delituoso praticado por agentes públicos no exercício das funções, no exercício do mandato político, eles necessariamente serão responsabilizados pela prática de ato de improbidade administrativa - a ação deve vir o mais rápido possível'', afirmou. Entre as sanções de improbidade, estão desde multa a suspensão dos direitos políticos e proibição de contratar com o poder público.
Bonilha e seu advogado, Ronaldo Neves, não foram localizados pela reportagem, assim como Romagnolli e seu defensor, Geovanei Bandeira. Araújo pediu que a reportagem falasse com o advogado Fernando Boberg - cujo celular estava fora de área. Já Bergamin resumiu: ''Já esperada a denúncia; agora vou aguardar porque provavelmente serei chamado a depor (em juízo), mas estou tranquilo''.


