MP oferece nova denúncia contra Cassio Taniguchi
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de maio de 2002
Rodrigo Sais Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual ofereceu mais uma denúncia contra o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), junto ao Tribunal de Justiça. O MP acusa a prefeitura de ter favorecido a empresa Risotolândia em uma licitação do ano retrasado que previa o fornecimento de merendas às escolas públicas da Capital.
Além do prefeito, os proprietários da Risotolândia, Carlos Antonio Gusso e Aroni Grassi Gusso, foram denunciados. De acordo com a denúncia, a prefeitura teria direcionado a concorrência de forma que ela favorecesse a empresa, que já prestava serviços à prefeitura.
Para os promotores, a prefeitura teria exigido das empresas concorrentes uma capacidade técnica para a produção de refeições superior à necessária, o que faria com que empresas menores desistissem da licitação. Além disso, os promotores entendem que houve superfaturamento no contrato firmado com a Risotolândia, o que proporcionou o desvio de cerca de R$ 3 milhões em favor do casal Gusso.
A prefeitura não quis se pronunciar. A Risotolândia informou através de sua assessoria que só irá se pronunciar sobre a denúncia quando receber a notificação através de um oficial de Justiça. Os diretores frisaram, entretanto, que uma auditoria realizada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação no mês passado não constatou indícios de superfaturamento nas merendas da prefeitura.
Além da denúncia de superfaturamento, a Risotolândia também está sendo investigada pelo MP por conta de seu envolvimento na campanha à reeleição de Cassio. A empresa figura na prestação de contas de Cassio como se tivesse prestado uma doação de R$ 100 mil à campanha do prefeito três meses antes de vencer a licitação.
Anotações no livro-caixa do tesoureiro da campanha de Cassio, entretanto, mostram que a empresa teria recebido os mesmos R$ 100 mil do comitê do PFL no dia seguinte. Os promotores trabalham com a hipótese de que a engenharia financeira tenha sido realizada para lavar o dinheiro de outras doações. Caso o Tribunal de Justiça decida formalizar a ação criminal contra Cassio, o prefeito pode responder pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público em benefício de terceiros) e fraude à lei das licitações.


