Curitiba – O Ministério Público (MP) do Paraná ofereceu denúncia criminal contra o deputado estadual Nelson Justus (DEM) e mais 31 pessoas ligadas a ele, em caso relacionado ao escândalo conhecido como "Diários Secretos". O parlamentar é acusado de formação de quadrilha, peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O ex-diretor-geral da AL Abib Miguel, o Bibinho, também é citado nos autos.
O processo, de mais de 300 páginas, se refere ao período de 2003 a 2010, quando o político presidia a AL. A suspeita é de que ele e seus assessores facilitavam a contratação de funcionários fantasmas ou laranjas, isto é, que recebiam sem trabalhar, para desviar recursos públicos. O MP também investiga se os envolvidos lavavam dinheiro com a compra e venda de veículos. De acordo com o órgão, a denúncia foi oferecida em 12 de fevereiro de 2015 e está em fase de notificação dos acusados, para apresentação de defesa.
Os promotores responsáveis não quiseram conceder entrevistas. Em nota, o MP informou que somente depois da manifestação dos advogados é que o Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) vai decidir se acata ou não a ação. A relatoria do processo coube ao desembargador Guilherme Freire. A ação tramita em segunda instância porque Justus é deputado, condição que lhe garante foro privilegiado. O parlamentar foi procurado pela FOLHA, mas não se encontrava em seu gabinete na AL ontem. A assessoria de imprensa dele ficou de retornar, o que não aconteceu até o fechamento desta edição.
As irregularidades investigadas se tornaram públicas em 2010 e envolviam 97 "fantasmas". O caso já foi segmentado em oito subprocessos, a partir de duas ações criminais propostas pelo MP. Estima-se que a fraude tenha gerado um prejuízo de R$ 216,8 milhões (em valores atualizados) aos cofres públicos.

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