A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina instaurou procedimento para investigar se houve ato de improbidade administrativa na indicação de nomes para monitoria no Projovem Trabalhador, por meio do Instituto de Desenvolvimento Social e Humano (Idesh). Conforme o Ministério Público (MP), as recomendações por um grupo de pelo menos 30 pessoas teriam sido feitas pelo prefeito Barbosa Neto (PDT), a secretária de seu gabinete, Camila Gilioli, e a gerente do Sistema Nacional de Empregos (Sine) na cidade - órgão municipalizado -, Neiva Sefrin. Tanto a gerente do Sine quanto a secretária, agente de campanha do pedetista e ex-assessora dele, quando deputado, depuseram ontem na Promotoria. O Projovem terá em Londrina uma verba de R$ 3,1 milhões, mas, após decisões judiciais de primeira e segunda instâncias que suspendiam o contrato, o Executivo anunciou semana passada que reabrirá a licitação.
Conforme o promotor Renato de Lima Castro, o procedimento foi instaurado no último dia 7 após a análise de denúncias anônimas que chegaram a ele e à promotora Leila Voltarelli. Nelas, além de trocas de e-mails entre Neiva e Camila, nas quais demonstrariam haver predileção por nomes, haveria ainda uma lista de 32 pessoas que pudessem atuar como monitores do Projovem, mediante uma bolsa de R$ 2.700, para 24 dias de trabalho. Seriam, em boa parte, parentes, amigos ou conhecidos de pessoas ligadas diretamente à administração, ou que teriam trabalhado na campanha.
Em depoimento, Neiva e Camila - que, já procuradas pela FOLHA para comentar o assunto, se esquivaram - informaram que teriam apenas recebido currículos de pessoas que visitaram Barbosa às terças-feiras, no evento chamado de ''Gabinete Aberto''. Segundo o promotor, informalmente, o próprio prefeito admitiu ter repassado à gerente do Sine os supostos currículos apresentados a ele semanalmente.
''Vamos analisar se existiu ato de improbidade uma vez que que não é função do prefeito, no exercício do cargo, indicar pessoas para trabalharem em um programa desses - sobretudo porque o Idesh havia vencido uma licitação em que o próprio Município era o licitante'', definiu. ''E a gerente que intermediaria isso é nomeada pelo prefeito'', frisou Castro. ''O critério do merecimento deve ser observado, e não de eventual apadrinhamento'', encerrou.
O procurador-geral do Município, Demétrius Coelho Souza, reforçou a versão apresentada ao MP pela gerente do Sine e pela secretária. De acordo com ele, os nomes indicados pelas duas funcionárias seriam de pessoas que falaram com o prefeito nos eventos de terça. ''Muitos vão ao gabinete nesse dia e deixam um currículo, em busca de emprego. O que há apenas é o encaminhamento desses currículos ao Sine.''
Indagado sobre a razão de apenas um grupo de supostos nomes das visitas de terça ter tido a recomendação para a monitoria do Projovem, no Idesh, o procurador afirmou que não teria como explicar. ''Não conheço essas pessoas, e, até onde eu saiba, o procedimento (da indicação) é igual para todo mundo. Seria prematuro a gente tirar, nesse momento, alguma conclusão.'' Se é legal o prefeito indicar nomes para uma empresa que participara de uma licitação pública, e a vencera? ''Desconheço isso.''

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