MP investiga suposto assessor 'fantasma' de Sandra Graça
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segunda-feira, 12 de maio de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Salário mensal de aproximadamente R$ 1.500 como assessor parlamentar comunitário na Câmara de Vereadores (Zona Sul de Londrina). Além da função pública, Salvador Yukuhide Kanehisa, 48, também tem sociedade em uma marcenaria na Vila Recreio (Centro), é dono de uma academia de artes marciais na Vila Fraternidade (Zona Leste) e, desde ontem, o mais novo caso de suposto ''fantasma'' no Legislativo. Lotado no gabinete da vereadora Sandra Graça (PP), o assessor-empresário que também é instrutor de artes marciais em um curso de 70 horas do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), voltado a defesas pessoais, está no centro do procedimento instaurado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que, desde março passado, já investiga supostos assessores-fantasmas que teriam passado pelo gabinete do vereador (atualmente afastado) Osvaldo Bergamin (PMDB). À época, uma ligação telefônica feita pela imprensa constatou que a então assessora do peemedebista, Vanderléia Faria da Mota, dava expediente em um salão de cabeleireiro em sua própria residência, durante a semana, em horário comercial.
De acordo com o coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves, a situação de Kanehisa chegou ao MP de forma semelhante ao da ex-assessora de Bergamin - ela e outros quatro companheiros de trabalho foram exonerados do gabinete, dias depois, mas um deles retornou pelo gabinete de João Abussafi (PPS).
''Pela informação que recebemos, ele (Kanehisa) teria relatado em determinado contexto que trabalharia o dia todo como marceneiro'', justificou Esteves, sobre abertura de procedimento investigatório. De acordo com o promotor, o assessor deve ser chamado a depor nos próximos dias - e também no procedimento que tenta identificar quais as reais atribuições dos assessores da Câmara de Londrina. ''Tudo tem que ser analisado, mas vem chamando nossa atenção os tipos de serviços relatados pelos assessores (que já depuseram até agora) e o contraste que isso representa às funções inerentes ao cargo'', resumiu.
A FOLHA tentou contato com o assessor ontem à tarde na marcenaria e na academia de artes marciais, mas, por telefone, a informação dele próprio era a de que estava ''rodando bairros, fazendo pesquisas'', só falaria ''à noite, na academia''. Quanto à mercearia, ora disse que ''quase não paro lá'', ora que ''sou sócio lá - então a gente vê: na parte da manhã tem outros sócios que cuidam, vejo na parte da tarde. Mas não tem horário determinado, não - dou uma passadinha de manhã para ver como estão as coisas''. Qual o expediente no gabinete de Sandra, portanto? ''À tarde, ou de manhã: eu faço mais serviço fora'', definiu.
A vereadora negou que o funcionário, lotado no gabinete desde 2001, seja fantasma. ''Eu mapeio a cidade e cada um dos meus (cinco) assessores, à exceção da que fica no gabinete, atende a demanda. O Salvador faz tudo que exija deslocamento - de atendimento a idosos a grupos de pessoas carentes'', elencou. Não houve consenso entre ambos, porém, sobre o horário de trabalho. ''Como é o único homem do gabinete, é quem me acompanha em eventos que acontecem à noite, ou quem me representa. Gosto de pessoas qualificadas, ponderadas e respeitadas, e isso ele é'', encerrou.


