Um ano e oito meses depois, o assunto voltou à baila na Câmara de Vereadores de Londrina - timidamente - e na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que novamente instaurou processo para apurar suposta tentativa de cobrança de propina de empresário, na Casa, para aprovação de projetos. Se em janeiro do ano passado policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate o Crime Organizado (Gaeco) prenderam em flagrante o então vereador Henrique Barros com R$ 9,9 mil que teriam sido coletados de três empresários, desta vez, a Promotoria apura se, dentro do próprio prédio do Legislativo, ocorreu a cobrança de valor por parte do vereador Rodrigo Gouvêa (PRP) ao empresário Maurício Costa a fim de que o projeto ''Minha Casa, Minha Vida'', do Executivo, fosse aprovado.
O assunto corria ontem no início da noite nos corredores da Câmara, em burburinhos, já depois de ausente a imprensa que cobre a rotina da Casa. Perto das 19 horas, Gouvêa entrou irritado na sala da assessoria de imprensa, onde estava a reportagem da FOLHA, se referindo ao que tinha ouvido sobre ''cobrança de propina'' contra ele em uma rádio (Paiquerê AM) da cidade. Na sequência, saiu rumo ao plenário e não quis mais falar sobre o assunto. A matéria foi aprovada na forma do substitutivo número dois, em 25 de junho, com 13 votos favoráveis - Gouvêa estava ausente; no primeiro substitutivo, votou a favor. Na primeira tramitação, votou contra a urgência para apreciação da matéria.
O promotor Renato de Lima Castro não quis comentar as investigações. Conforme a FOLHA apurou, contudo, Costa teria sido chamado ao MP, e, em depoimento formal, teria relatado que no dia da votação do projeto, Gouvêa o teria chamado para fora do plenário e pedido dinheiro para aprovar a proposta. No entanto, no dia seguinte, o empresário teria voltado à Promotoria e dito que não tinha certeza sobre o que o vereador teria dito na oportunidade.
Apesar do recuo do empresário, também foi chamado ao MP o presidente da Câmara, José Roque Neto (PTB). O petebista teria confirmado uma conversa posterior à votação solicitada por Costa, na sala da Presidência, em que o empresário teria relatado o pedido de Gouvêa.
Indagado ontem sobre o assunto, Roque Neto foi lacônico. ''Não é meu perfil mentir, e como esta Casa já passou por vários transtornos, falei ao promotor que estamos à inteira disposição, sobretudo quanto a disponibilizar os pedidos de informação que a Promotoria nos fizer. Mas sobre esse assunto (caso Rodrigo Gouvêa) me pediu tranquilidade e sigilo'', resumiu. Indagado sobre quando depôs, o petebista respondeu que ''o convite me foi feito há uns 15 dias''.
A FOLHA chegou a falar com Gouvêa quando ele ainda estava a Plenário, mas ele se limitou a responder que conversaria ''só depois do fim da sessão''. Ele deixou a Casa um pouco antes e não foi localizado posteriormente.
O corregedor da Câmara, vereador Gerson Araújo (PSDB), admitiu ter ouvido sobre a denúncia ainda em plenário, mas disse não ter recebido nada oficialmente. ''Esse assunto é grave, a gente espera mesmo que seja só boato porque acaba afetando, de alguma forma, todo mundo. Mas se chegar algo de oficial, como uma representação, a comissão de ética posteriormente pode ser acionada'', disse. Na legislatura passada, dos 19 parlamentares empossados em janeiro de 2005, metade foi processada por concussão e formação de quadrilha.
Costa não foi localizado ontem à noite pela reportagem.

mockup