Curitiba O doleiro Alberto Youssef esteve na sede da Companhia Paranaense de Energia (Copel) nos dias 6 e 20 de dezembro de 2002, quando a estatal negociava a compra de créditos tributários da empresa Olvepar, que teve falência decretada em agosto do ano passado. Youssef, conforme a Folha apurou, acompanhava representantes da Olvepar e não foi identificado pelos funcionários da Copel. O Ministério Público (MP) estadual está investigando se Youssef remeteu ilegalmente ao exterior os valores pagos pela Copel à Olvepar.
A Copel adquiriu R$ 45 milhões em créditos tributários da Olvepar (e não R$ 40 milhões como divulgado anteriormente) para quitar tributos junto ao governo estadual. O MP está analisando se a estatal cometeu irregularidades nessas operações e investigando a atuação do ex-presidente da estatal Ingo Hubert, que acumulava na mesma época o cargo de secretário de Estado da Fazenda.
Segundo análises da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que também investiga o caso, os créditos adquiridos seriam fictícios. Além disso, a Secretaria da Fazenda teria dado baixa contábil na dívida da Copel, mas o dinheiro não teria entrado no caixa do governo.
O advogado da massa falida da Olvepar, José Célio Garcia, afirmou à reportagem, e também em depoimentos ao MP, que a empresa nunca teria feito negociação com a Copel. Mas essa versão não bate com documentos aos quais a Folha teve acesso ontem. Garcia designou Luiz Sérgio da Silva como procurador da massa falida para tratar das operações de créditos tributários e representar a empresa no Paraná.
Garcia fez outra procuração, repassando os poderes de Luiz Silva para o advogado Antônio Carlos Pierruccini. Foi Pierruccini que recebeu os valores pagos pela Copel. Pelos créditos da Olvepar, a estatal pagou R$ 36,9 milhões. Desse total, R$ 3,2 milhões foram pagos à Rodosafra, que é credora da Olvepar. Quando Pierruccini foi ao banco descontar os valores recebidos, Youssef estava junto. O MP investiga se Youssef movimentou parte do dinheiro para contas ilegais no exterior e se o dinheiro foi direcionado para quitar dívida de campanha eleitoral em 2002.
Youssef teve a prisão preventiva decretada em novembro de 2000, por suspeita de ser o responsável por uma conta-fantasma que recebeu R$ 120 mil desviados da Prefeitura de Londrina. A preventiva foi revogada. Ele também é investigado pela Polícia Federal de Londrina em pelo menos 34 inquéritos, por suspeita de abrir outras contas - fantasmas - que teriam movimentado R$ 150 mi.
A reportagem deixou recados para Ingo Hubert com pessoas próximas a ele, mas ele não retornou as ligações. Pierrucccini não foi localizado. Foram deixados recados para Luiz Sérgio da Silva e José Garcia, mas nenhum respondeu. O advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, disse que desconhece qualquer negociação desse tipo. A Folha tentou falar com o doleiro diretamente, mas não foi possível.

mockup