MP investiga se Copel já fez lavagem de dinheiro
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba O Ministério Público (MP) estadual começou a investigar se as operações de compra de créditos tributários de R$ 40 milhões feitas pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) no ano passado têm ligação com um esquema de lavagem de dinheiro. O nome do doleiro Alberto Youssef, acusado de envolvimento em remessas ilegais feitas pelo Banestado entre 1996 e 1999, foi citado nos depoimentos que o MP está tomando.
Youssef estaria presente em uma das reuniões de vendas de créditos da empresa Olvepar para a Copel e teria organizado um esquema para destinar parte das quantias para quitar dívidas de campanhas. Pelos depoimentos concedidos ao Ministério Público, o doleiro estaria com advogados da Olvepar e não teria sido reconhecido, pelo menos formalmente, pelos representantes da Copel na reunião.
Apesar do advogado da massa falida da Olvepar, José Célio Garcia, ter negado recentemente qualquer negociação com a Copel, outros depoimentos sustentam que a transação ocorreu. A Folha voltou a procurar Garcia ontem, mas ele não retornou os recados.
O suposto esquema montado na Copel está sendo investigado tanto pelo MP como pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). A operação teria envolvido várias empresas e pode ter gerado um rombo de R$ 80 milhões nos cofre estaduais. A estatal teria usado os créditos tributários da Olvepar e outras empresas para quitar dívidas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Segundo a PGE, os créditos da Olvepar, que teve falência decretada em agosto de 2002, eram fictícios. Mas um parecer do conselheiro Heinz Herwig, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), de 2 de dezembro de 2002, autorizou a operação. A PGE também afirma que a Secretaria da Fazenda teria dado baixa nas dívidas da Copel, sem que a estatal realmente pagasse os valores correspondentes.
Como ocupava dois cargos fundamentais, a atuação do ex-secretário da Fazenda e ex-presidente da Copel Ingo Hubert está sendo investigada. Ele já prestou depoimento ao MP. De acordo com um funcionário do alto escalão da Receita Estadual, a direção do órgão era contra à operação, mas ela foi executada à mando de ordens superiores. A Folha tem deixado recados para entrevistar Hubert, mas ele não retorna. O advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, afirmou que desconhece qualquer investigação sobre o doleiro que tenha relação com a Copel ou Olvepar.
O MP investiga ainda a versão que Youssef teria movimentado R$ 13 milhões dos R$ 40 milhões negociados entre Copel e Olvepar, enviando-os para paraísos fiscais, nas contas de laranjas. Os valores supostamente desviados teriam sido remitidos ao Brasil para que fossem quitadas dívidas de campanhas.
Em dezembro de 2000, Youssef teve a prisão preventiva decretada em uma ação criminal de autoria do Ministério Público (MP). Ele foi apontado como principal responsável pela conta da empresa fantasma Freitas & Dutra, em que teria sido depositado um cheque de R$ 120 mil desviado da Prefeitura de Londrina. Através de um habeas corpus ajuizado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Youssef conseguiu revogar a preventiva.
Youssef também é investigado pela Polícia Federal (PF) de Londrina em pelo menos 34 inquéritos. Há indícios de que o doleiro seja o principal responsável pelas contas abertas nas agências do Banestado de Londrina, Cambé e Ibiporã, em nome de empresas fantasma. Conforme as investigações da PF, entre maio de 1998 a janeiro de 1999, essas contas teriam lavado mais de R$ 150 milhões.


