São Paulo - Repasses feitos pelo Instituto Lula para duas empresas de filhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a G4 e a FlexBr, estão entre os alvos da Operação Aletheia, 24ª fase e ápice da Lava Jato, deflagrada ontem. "O Instituto Lula pagou mais de R$ 1 milhão para a G4 do filho do ex-presidente", afirmou o procurador da República Carlos Fernando Santos de Lima, em coletiva na sede da Polícia Federal, em Curitiba.
Os investigadores estão apurando se os pagamentos foram realizados por serviços prestados ou forma de ocultar propina. O Instituto Lula e a LILS Palestras receberam R$ 30 milhões de empresas, entre elas as maiores empreiteiras acusadas de corrupção e cartel na Petrobras - OAS, Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, UCT e Queiroz Galvão. "Investigamos se houve prestação de serviços ou se isso não é apenas uma triangulação para benefício da família do ex-presidente", afirmou o procurador.
Segundo Carlos Lima, os pagamentos à LILS Palestras e as doações ao Instituto Lula abrangem o período em que o petista foi presidente e mesmo após o período de oito anos que ele ocupou o Palácio do Planalto. "Hoje nos estamos analisando evidencias de que o ex-presidente e sua família receberam vantagens para eventual consecução de atos dentro do governo. É uma hipótese investigativa", disse.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
O procurador Santos Lima disse que a Operação Lava Jato mira em uma "organização criminosa infiltrada dentro do governo federal que se utilizava da Petrobras e de outras empresas para o financiamento político e também para apropriação pessoal". O procurador disse que a organização "certamente possui um comando". "Nós já fizemos a acusação que o ex-ministro José Dirceu (preso na Lava Jato desde agosto de 2015) fazia parte desse comando com o ex-tesoureiro Vaccari (João Vaccari Neto, também preso), entre outros. Mesmo após a prisão do ex-ministro, no caso mensalão, a organização criminosa continua existindo. Fazemos uma investigação da continuidade dessa cadeia de comando."

O procurador foi enfático. "Nós temos os favores feitos pelas empreiteiras OAS e Odebrecht e um sítio (em Atibaia) que nós estamos investigando a propriedade, mas acreditamos até o momento ser do sr. Luiz Inácio. E também temos bem claro que houve pagamentos de benfeitorias no tríplex, no Guarujá. Outros dados, inclusive, beneficiando familiares também estão sob investigação."

SIGILOS
O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato, decretou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do Instituto Lula e da empresa LILS Palestras, Eventos e Publicações, do ex-presidente Lula. A quebra serviu para descobertas que levaram o juiz a autoriza a condução coercitiva de Lula e de seus dois filhos e de uma das noras, dentro da Operação Aletheia - 24ª fase da Lava Jato. (A.E)

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