O presidente da Câmara de Vereadores de Maringá, João ‘‘John’’ Alves Correa (PMDB), que assumiu ontem o cargo de prefeito, também está sendo investigado pelo Ministério Público (MP). Ele entrou no lugar de Jairo Gianoto (PSDB), envolvido na ação de improbidade administrativa proposta pelo MP, que apura o desvio de R$ 3,1 milhões dos cofres públicos. Para evitar o afastamento judicial, requisitado pela promotoria, Gianoto pediu e conseguiu licença no Legislativo.
John está sendo investigado pelo MP por irregularidades no pagamento de convênios. Os servidores da Câmara tinham descontados os valores referentes a requisições de farmácias e postos de combustíveis, mas as empresas não estavam recebendo. O inquérito foi iniciado em agosto, corre na Polícia Civil e deve ser encerrado nas próximas semanas. A denúncia partiu de vereadores de oposição e de fornecedores. Na época, John se defendeu alegando que dependia de repasse de recursos da prefeitura para pagar os fornecedores e as empresas, mas que os repasses não eram efetuados.
O presidente da Câmara assumiu a prefeitura porque o vice de Gianoto, o ex-deputado estadual Marquinhos Alves (PTB), renunciou ao cargo para continuar na Assembléia Legislativa. Na presidência da Câmara entrou o vereador Valdir Pignata (PPB).
Ontem, logo depois de tomar posse, John reuniu todos os secretários. ‘‘Pedi um levantamento da situação da prefeitura, que deve estar nas minhas mãos até segunda-feira’’, informou. Ele disse que ficou supreso com as denúncias contra Gianoto, que está sempre em contato com o prefeito e acredita na inocência dele. ‘‘O tempo vai mostrar que ele não está envolvido com os desvios’’, defendeu.
A preocupação imediata do prefeito interino é com a folha de pagamento. John aponta que no final do ano, com o agravante de final de mandato e de todos os problemas da prefeitura, a arrecadação sofre uma queda muito grande. ‘‘A prioridade será pagar os funcionários’’, disse. Ele acha que a folha de outubro, que deve ser paga até segunda-feira, está garantida. O valor da folha gira em torno de R$ 4,5 milhões.
De imediato, John garante também que não vai mudar o secretariado e vai abrir as portas da prefeitura para o prefeito eleito. ‘‘Vamos passar por um período complicado, de transição, mas quero que a comunidade fique tranquila’’, avisou. Ele disse ainda que os boatos de que o desvio de recursos envolve vereadores não procedem. ‘‘Os boatos estão atingindo todo mundo, mas acho que problema está restrito à secretaria de Fazenda’’, previu.
A formação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) pela Câmara, defendida por alguns vereadores de oposição, segundo John, não chegaria a lugar algum. Ele disse que tecnicamente não é possível fazer nenhum levantamento em 45 dias, já que a Câmara entre em recesso no dia 15 de dezembro e volta com 77% de renovação. ‘‘No próximo ano temos que analisar a situação na época’’, desconversou. Ele foi um dos cinco vereadores reeleitos.
O prefeito interino lembrou ainda que, se quiser, Gianoto pode voltar ao cargo de imediato. O que não pode ocorrer já que cópia da ação de improbidade proposta pelo MP foi enviada à Câmara, que pode analisar uma possível cassação de Gianoto por infração político-administrativa. Ontem o promotor José Aparecido da Cruz, ouviu uma funcionária da Secretaria de Fazenda, mas não surgiram fatos novos no processo.
Outra pessoa ouvida ontem no MP foi a ex-presidente da Fundação de Desenvolvimento Social de Maringá, Márcia Socreppa, vereadora eleita pelo PSDB. Ela foi chamada para falar sobre um possível desvio de recursos do governo federal, que deveriam ser aplicados no Projeto Lixo. Socreppa disse que foram repassados R$ 50 mil para o desenvolvimento de programas junto a adolescentes de 14 a 17 anos. O MP não tem confirmado o desvio do dinheiro, mas já está investigando.

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