MP investiga pagamento de propina
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terça-feira, 16 de março de 1999
Sid Sauer 
O Diretório Municipal do PT de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) denunciou anteontem ao Ministério Público três vereadores do município - Evaldo Kovalski (PFL), José Lopes Rodrigues (PTB), e José Silvério da Rosa (PTB) - como suspeitos pelo recebimento de propinas pagas pela prefeitura. Segundo o PT, a denúncia já estava protolocada na Câmara desde novembro de 1997, citando valores, cheques e nomes dos envolvidos.
O caso voltou à tona porque no início do mês o vice-prefeito de Goioerê, padre Pedro Speri (sem partido), disse em entrevistas que havia deixado a prefeitura no ano passado por não concordar com o pagamento de vantagens a um grupo de vereadores. Segundo ele, a prefeitura pagava os vereadores para que eles aprovassem projetos de interesse da administração. Speri disse que tinha provas, mas que só as apresentaria à Justiça.
O diretório petista, no entanto, diz que o atual presidente da Câmara, Evaldo Kovalski, recebeu R$ 2,8 mil em 27 de outubro de 1997. O dinheiro foi pago com o cheque número 001518, da agência da Caixa Econômica Federal em Goioerê. O cheque é da conta particular de Sílvio Dalla Vecchia, que na época era chefe de gabinete do prefeito Vicente Okamoto (PSDB) e hoje é secretário da administração. O mesmo cheque foi depositado numa conta do HSBC em Goioerê.
No mesmo dia, José Silvério da Rosa teria recebido R$ 2 mil através do mesmo esquema. O dinheiro teria sido dado por Dalla Vecchi através do cheque número 001519, da Caixa Econômica. Três dias depois, em 30 de outubro de 1997, teria sido a vez de José Lopes Rodrigues receber R$ 1 mil através do cheque número 001521, da Caixa Econômica, assinado pelo mesmo Dalla Vecchia. O cheque teria sido depositado numa conta do Banestado.
O vereador José Torres (PT) conta que no dia 27 de outubro de 1997, quando foram assinados dois dos três cheques, estava tramitando na Câmara um pedido para formação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar irregularidades na prefeitura. O prefeito Vicente Okamoto era acusado de ter adquirido para a prefeitura uma camioneta que pertencia a uma empresa dele, a Algodoeira Goioerê Indústria e Comércio Ltda.
O pedido para a abertura da CEI foi reprovado pelos vereadores. Cerca de um mês depois, a Câmara voltou a negar a abertura de uma comissão especial para investigar a denúncia de que vereadores teriam recebido propina da prefeitura. O prefeito Vicente Okamoto informou através de um assessor que desconhece o pagamento de vantagens para os vereadores. Ele disse que os vereadores cobravam apenas o pagamento à Câmara de repasses já atrasados.


