Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual iniciou as investigações entre o Detran e a Vale Couros em março do ano passado. As denúncias foram remetidas pelo atual diretor Marcelo Almeida, depois que o setor jurídico do Detran detectou que os créditos tributários não haviam sido creditados na receita bruta do órgão. Um parecer da Receita Federal foi juntado ao processo, com a garantia de que os créditos não poderiam ser compensados porque não eram reconhecidos pela União.
A investigação está sendo conduzida pela Promotoria de Patrimônio Público e pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), órgão composto por policiais militares e civis e que trabalham com o levantamento de provas para o embasamento da denúncia feita pelo MP. Detran e MP não se pronunciam sobre o assunto, porque as investigações correm em segredo da Justiça.
A transação envolvendo Detran e Vale Couros teria sido a segunda com a participação efetiva do doleiro Alberto Youssef, réu colaborador da Justiça. A primeira teria sido entre a Adifea e a Copel, em setembro de 2002. Na época, Youssef teria feito a troca dos recursos repassados pela confecção de estudo sobre créditos tributários (que aliás, segundo o MP já havia sido feito pelos próprios funcionários da Copel) por dólares. Foram R$ 16,8 milhões que teriam sido pagos para a Adifea e repassados para a Empresa Brasileira de Consultoria (Embracon).
A segunda transação, que também teria sido solicitada pela presidência da Embracon (cujos telefones não atendendem e o presidente está com prisão preventiva decretada), teria sido entre a Vale Couros e a Embracon. Roberto Fabrim, diretor da Vale Couros, nega que tenha se utilizado da Embracon para efetivar a transação. ''Fiz tudo sozinho. Tenho relações com a Embracon, mas não precisei de ninguém para intermediar a negociação'', enfatizou.
Youssef confirmou e deu detalhes ao MP e à Justiça Federal. Disse que a operação teria que ser feita em contas separadas, como no caso da Olvepar e da Adifea, porque se tratava de uma empresa que não teria condições de devolver o dinheiro. A operação teria sido feita através de uma agência de câmbio do Rio de Janeiro.
A terceira e última transação com Youssef teria ocorrido no final do governo Lerner, em dezembro, e envolveria a Olvepar. Por ser massa falida, o sistema utilizado teria sido o mesmo das anteriores. O dinheiro teria sido depositado em contas apontadas por Youssef e depois teria sido resgatado pelo doleiro e levado para Curitiba.

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