O Ministério Público de Londrina quer saber o destino dos R$ 12 milhões obtidos pelo município com a venda, em maio de 1998, de 2,4 milhões de ações preferenciais da Sercomtel S.A. para a Banestado Corretora. O negócio, até então desconhecido, só foi revelado anteontem na Câmara dos Vereadores, durante depoimento do secretário de Fazenda, Jair Gravena, à uma Comissão Especial de Inquérito (CEI).
Ontem, os promotores Cláudio Esteves e Solange Vicentin mandariam ofício endereçado ao secretário Gravena solicitando documentos sobre a transação financeira, incluindo extratos bancários. Esteves disse que nos depoimentos ao MP, tanto Gravena quanto o secretário da Fazenda da época, Luiz César Guedes, não fizeram comentários sobre o negócio com a corretora. ‘‘Nos causou estranheza e por isso queremos esclarecer’’, afirmou. Gravena terá 10 dias para responder o pedido.
Segundo documento obtido pelos vereadores da CEI, o contrato foi assinado no dia 28 de maio, quando a Banestado Corretora adquiriu 2,4 milhões de ações da Sercomtel pelo preço de R$ 12 milhões. O município teria o direito de recomprar a totalidade das ações por R$ 13.752.000 até o dia 23 de novembro de 98. Como isso não ocorreu, a Banestado acabou ficando com as ações.
Gravena disse aos vereadores que o contrato foi assinado antes de sua posse na secretaria e por isso não tinha detalhes da operação. Um detalhe, no entanto, chamou a atenção dos promotores: segundo aditivo contratural assinado no dia 1º de junho de 1998, R$ 10 milhões deveriam ter sido depositados na conta do Conselho de Gestão Financeira (Cogefi), criado para gerenciar os R$ 186 milhões obtidos com a venda das ações da Sercomtel para a Copel. Mas da prestação de contas apresentada por Gravena sobre o Cogefi, não constavam os R$ 10 milhões.
Gravena disse ontem à Folha que a prestação de contas foi feita a partir de um levantamento feito no setor de contabilidade da prefeitura, levando em conta apenas a venda de 45% das ações para a Sercomtel. O secretário não soube dizer se de fato os R$ 10 milhões entraram ou não na conta do Cogefi. ‘‘Com certeza o dinheiro entrou na prefeitura, não dá nem para desconfiar. Mas onde entrou tenho que pesquisar.’’
O ex-secretário de Fazenda, Luiz César Guedes, disse hoje estaria em Londrina para buscar detalhes da operação com o Banestado. Ele falou à Folha desde Brasília por telefone. ‘‘Não conheço como foi o processo, os entendimentos com a corretora, mas os recursos devem ter entrado em caixa. De cabeça não me lembro’’, disse.
O vereador Tercílio Turini (PSDB), relator da CEI, adiantou que a comissão também está enviando ofício à prefeitura com quatro questões: por que a operação foi realizada poucos dias depois do município receber R$ 186 milhões com a venda de 45% da ações da Sercomtel para a Copel?; qual foi o destino dos R$ 12 milhões?; por que os recursos não constam na prestação de contas do Cogefi; e qual critério utilizado para estipular o preço unitário de R$ 5,00 por ação?

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