MP investiga nova denúncia de propina a vereador
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
O proprietário de uma indústria denunciou ao Ministério Público (MP) que foi forçado a pagar propina a um vereador de Londrina para conseguir a aprovação do projeto que autorizava a instalação de seu empreendimento na cidade. O parlamentar seria um dos quatro já investigados por concussão (extorsão por agente público) e formação de quadrilha.
O caso foi divulgado ontem pelo Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), que intermediou o contato entre o denunciante e o MP. O presidente do Ceal, Nelson Brandão, contou que foi procurado pelo industrial - que residiria fora de Londrina - durante encontro entre entidades e promotores no clube, na semana passada.
''Ele chegou para mim e disse: 'tem uma coisa que não me deixa dormir faz anos. Nunca revelei antes porque ninguém falava no assunto''', relatou Brandão. Segundo ele, o caso aconteceu ''há uns quatro anos''.
O empreendedor teria estranhado a demora na aprovação da lei que autorizava a instalação de sua indústria, uma vez que já havia cumprido todas as exigências legais, incluindo a apresentação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), Relatório de Impacto Ambiental (Rima) e Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). Todos os procedimentos, de acordo com o Ceal, teriam sido aprovados pelo instituto e o conselho de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul e CMPU), além das próprias comissões da Câmara.
Um engenheiro contratado pela indústria teria então consultado a Câmara sobre a lentidão no trâmite do projeto e sido informado de que precisava pagar para aprová-lo. O valor teria girado em torno de R$ 50 mil. De acordo com Brandão, o industrial contou que relutou, mas acabou pagando a propina, que teria sido recebida por um dos vereadores já denunciados pelo MP - Orlando Bonilha (PR), Osvaldo Bergamin (PMDB), Flávio Vedoato (PSC) ou Renato Araújo (PP). O nome de Henrique Barros (sem partido), que renunciou ao mandato depois de ser preso e denunciar os colegas, foi descartado.
O presidente do Ceal afirmou que não foi autorizado a revelar a identidade do denunciante. O chefe do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotor Leonir Batisti, confirmou o recebimento da denúncia, mas disse que não poderia revelar mais detalhes. ''O MP está investigando a procedência da denúncia'', desconversou.


