MP investiga morte de ''laranja''
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terça-feira, 28 de agosto de 2001
Cristiane Oya<BR>De Londrina 
A promotora da 3 Vara Cível de Londrina, Solange Vicentin, está investigando a causa da morte do jardineiro Ozório Benato Miola, de Curitiba, ocorrido em abril. Conforme a investigação do Ministério Público (MP), que soube da morte nesta semana, Miola foi usado como ''laranja'' no esquema de desvio de dinheiro da Prefeitura de Londrina. Ele seria sócio-proprietário de três empresas curitibanas: Edificadora Vêneto Ltda., Venelux e Da Ross.
De acordo com a cópia do atestado de óbito em poder do MP, a morte do jardineiro, de 45 anos, foi lavrada no dia 19 de abril de 2001, no Cartório Cidade Industrial, em Curitiba. Ele teria morrido no Hospital Cajuru e consta que a identificação da causa estaria dependendo de ''exames complementares''. O atestado de óbito aponta ainda que o jardineiro, que era solteiro e não tinha filhos, ''não deixa bens''.
''Vamos investigar qual o tipo de morte e se houve alguma investigação em Curitiba. Ele foi arrolado como testemunha do MP nas ações penais que já foram interpostas e agora teremos que fazer substituição dele por outra testemunha'', informou a promotora. Solange deverá solicitar apoio à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), em Curitiba.
De acordo com Solange, a Vêneto teria participado de cerca de dez procedimentos licitatórios da prefeitura. Alguns foram considerados irregulares, o que gerou a citação em ações civis e uma decretação de prisão preventiva do ex-proprietário da empresa, Solano da Ross. O empresário teria participado do desvio de R$ 1,7 milhão dos cofres municipais, mas não chegou a ser preso porque se antecipou e obteve uma liminar no Tribunal de Justiça.
''Segundo o que nós apuramos, essa pessoa (Miola) era um verdadeiro laranja. Era uma pessoa sem nenhuma capacitação, idoneidade financeira e figurava como proprietário de uma empresa, mas na verdade era jardineiro'', relatou a promotora. ''Ele foi usado no esquema para também facilitar o desvio de verba pública.''
A Folha localizou Miola em janeiro de 2000, quando ele morava de favor em uma casa de dois cômodos em Curitiba. Ele reclamou que às vezes não tinha dinheiro nem para comer e disse que usaram seu nome para fazer as falcatruas.


