MP investiga lucros do Banco Marka
MP investiga lucros do Banco Marka
O Ministério Público Federal vai investigar a informação, publicada ontem no jornal Globo, de que um fundo administrado pelo Banco Marka lucrou com a emissão de debêntures da empresa Teletrust de Recebíveis S.A. em 1996. A operação, estruturada pelo Marka, envolveu a venda de papéis no valor de R$ 368 milhões.
A maior parte das debêntures foi comprada por cinco fundos de pensão que, segundo a CPI dos Bancos, amargaram prejuízo de R$ 88 milhões na operação. Por outro lado, um fundo administrado pelo Marka gastou R$ 1 milhão para comprar uma série especial de debêntures cuja remuneração seria equivalente a 95% da rentabilidade da Teletrust. Em 96, o fundo teve lucro líquido de R$ 3,110 milhões com a operação. A partir de 97, a Teletrust passou a registrar prejuízo, que foi parar nas carteiras dos fundos de pensão.
A operação pode ter sido feita dentro da lei. Mas sua estruturação é suspeita. Queremos investigar o que levou os fundos a comprarem aquelas debêntures, que tinham como garantias linhas telefônicas, quando já se falava que os telefones ficariam muito baratos. Outro ponto é saber quem era o cotista do fundo do Marka que teve lucro na operação, disse a procuradora Raquel Branquinho, ao tomar conhecimento da operação.
As garantias dos fundos de pensão no negócio eram as linhas das telefônicas estaduais. Entretanto, com a privatização do setor, os preços das linhas despencaram e as garantias viraram pó. Dados do balanço contábil da Teletrust, de março deste ano, mostram que os recursos que a empresa tem disponíveis (o caixa e mais o que ainda tem que receber de clientes) somavam cerca de R$ 24 milhões. Já as dívidas da empresa, que incluem o valor que ainda deve ser pago aos debenturistas, chegam a R$ 123 mi.
As operações na Bolsa de Chicago do ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, dono do Marka, também estão sendo investigadas. Segundo uma fonte do Banco Central, a instituição já tem provas de que os contratos em dólar futuro que o Marka tinha na Bolsa de Chicago somavam cerca de US$ 200 mil. No entanto, logo depois da desvalorização do real, Cacciola remeteu R$ 17 milhões para o exterior. A justificativa dada pelos banqueiro, na época, era a de que o dinheiro tinha sido usado para liquidar suas operações na bolsa americana, evitando que o Marka quebrasse.





