O Ministério Público Federal está investigando as ligações entre o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge e o ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF), apontado como um dos principais envolvidos no desvio de R$ 169 milhões destinados à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. Uma lista com sete nomes de antigos assessores de Eduardo Jorge que foram trabalhar no gabinete de Estevão no Senado está nas mãos de um grupo de procuradores da República no Distrito Federal.
Para os procuradores, a transferência de auxiliares de confiança do Palácio do Planalto para integrar a equipe do ex-senador revela ‘‘no mínimo uma aliança muito estreita’’ entre Estevão e Jorge. O Agência Estado confirmou três nomes da relação – Nilson da Silva Rebello, Haroldo Vitor e Guido Faria de Carvalho. O primeiro trabalhou em setor administrativo do Palácio. Os outros dois foram assessores de Jorge na Secretaria-Geral da Presidência.
Os procuradores federais querem saber se as ligações entre Jorge e Estevão foram além do ‘‘plano pessoal ’’ entrando no terreno dos negócios. Entre os dois surge o nome do juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), acusado pela Procuradoria da República como mentor das irregularidades no contrato do fórum. Rastreamento telefônico promovido pela CPI do Judiciário indica cerca de 200 ligações de Nicolau para os gabinetes de Eduardo Jorge e de Estevão entre 1995 e 1998, período em que o Tesouro liberou a maior parte da verba para o empreendimento.
O ex-secretário e o ex-senador se conhecem há cerca de 30 anos. ‘‘Eu sou amigo do Eduardo Jorge’’, confirma Estevão. ‘‘Eu era muito amigo de dois irmãos do Eduardo, o Joca e o Paulo Jorge, que morreu em 1995.’’ Teria havido algum negócio entre Estevão e o ex-secretário-geral? ‘‘Para ser sincero, eu nunca ouvi o Eduardo Jorge falar de negócios’’, assegura o peemedebista. ‘‘A única coisa que ouvi dele foi sobre política, tema pelo qual é apaixonado.’’
Guido de Carvalho – que serviu a Jorge e, depois, a Estevão – foi secretário-geral da Mesa do Senado na época do impeachment do presidente Fernando Collor, em setembro de 1992. Quando foi eleito senador em 1998, Estevão convidou Carvalho, que já estava aposentado, para integrar sua equipe. Na época, ele trabalhava no Palácio.
Eduardo Jorge confirma que sua ‘‘amizade com o ex-senador é antiga e sabida’’. ‘‘Nossas famílias se conhecem há mais de 30 anos.’’ O ex-secretário-geral afirma que ‘‘politicamente, durante muitos anos’’ ele e Estevão estiveram em ‘‘campos opostos’’. Segundo Jorge, ‘‘apenas na última eleição no Distrito Federal ’’ ficaram próximos.
O relacionamento entre Estevão e Eduardo Jorge – homem forte do primeiro governo Fernando Henrique Cardoso –, tornou-se mais próximo na campanha à reeleição do presidente. Coordenador-geral da campanha, foi Eduardo Jorge quem deu sinal verde para o apoio do Planalto à candidatura de Joaquim Roriz (PMDB) para o governo do DF, ignorando a chapa encabeçada pelo tucano José Roberto Arruda. O senador do PSDB não chegou ao segundo turno e Roriz derrotou Cristovão Buarque (PT), que disputava a reeleição. Luiz Estevão elegeu-se senador na mesma chapa do governador.

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