MP investiga 'fornecedores'
MP investiga fornecedores Paulo WolfgangMaria Giselda: estou estarrecidaPaulo WolfgangTercílio Turini: indenização Patrícia Zanin De Londrina Servidores da Prefeitura de Londrina querem explicações sobre a citação de seus nomes como fornecedores na lista da secretaria da Fazenda que relaciona despesas pagas pelo município com o dinheiro da privatização da Sercomtel. Ontem, duas funcionárias estiveram no Ministério Público para entregar uma cópia da lista ao promotor Bruno Galatti e pedir providências. Elas também querem satisfação da secretaria da Fazenda e da Câmara. A lista foi entregue no mês passado pelo secretário da Fazenda Jair Gravena à Comissão Especial de Inquérito (CEI) do Legislativo que investiga irregularidades nos órgãos da administração pública, mas houve questionamentos. A ex-secretária da Ação Social, Marisa Goettel, por exemplo, negou que sua pasta tenha recebido os R$ 3,3 milhões que constam da relação da Fazenda. Ontem, Maria Giselda de Lima, educadora da secretaria de Ação Social, questionou a inclusão de seu nome, com R$ 10,1 mil recebidos, e cobrou explicações. Estou estarrecida, afirmou. Ela disse que os funcionários da secretaria fazem empenhos em seus nomes para viagens, por exemplo. É uma prática rotineira, mas isso não é prestação de serviço. A lista relaciona gastos de R$ 123,7 milhões do total de R$ 186 milhões obtidos com a venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel. Os gastos foram autorizados pelo Conselho de Gestão Fiscal (Cogefi), criado para gerenciar os recursos da privatização da telefônica. Na época da privatização, em 98, a administração chegou a afirmar que usaria os recursos para investimentos, mas a lista da Fazenda mostra que isso não ocorreu. Ex-secretários da prefeitura, o prefeito Antonio Belinati (PFL) e o vereador Tercílio Turini (PSDB) também são citados na lista da Fazenda repassada à CEI da Câmara. Ontem, Turini, que é relator da CEI, fez questão de esclarecer que os R$ 54,9 mil que ele recebeu do município dizem respeito a uma desapropriação de terreno feita pela prefeitura para a ampliação do aeroporto. Estranhamos o fato de o recurso entrar na lista do Cogefi. O vereador disse que a verba foi repassada a ele em duas parcelas, em julho e agosto de 98. Além da desapropriação de 17 mil metros quadrados no terreno de Turini, o município fez o mesmo em áreas de outros 12 proprietários, totalizando 232 mil metros quadrados. O valor foi de R$ 718,7 mil. A maioria dos proprietários também teve a desapropriação paga com autorização do Cogefi, de acordo com a lista. A ampliação do aeroporto ainda não saiu. Segundo Turini, a CEI ouvirá na segunda-feira os servidores que tiveram seus nomes citados na lista. Procurado pela Folha, o secretário da Fazenda disse ontem não ter conhecimento das pessoas que receberam os recursos, nem as circunstâncias. Jair Gravena disse ainda que não vai falar mais sobre os recursos liberados pelo Cogefi, mas que tudo que foi pago foi empenhado e existem documentos. Se a Câmara divulgou a lista, cabe a ela dar explicações, afirmou.





