MP investiga fitas entregues pelo prefeito
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quarta-feira, 10 de maio de 2000
Lucilia Okamura De Londrina 
O caso das fitas usadas pelo prefeito Antonio Belinati (PFL) para tentar demonstrar uma negociação com vereadores e barrar uma Comissão Processante (CP) na Câmara se transformou em inquérito civil no Ministério Público (MP). Os promotores Cláudio Esteves e Solange Vicentin, responsáveis pelo inquérito instaurado no dia 3, querem apurar se houve uma eventual prática de ato de improbidade administrativa neste episódio. O material, comprovado por peritos do Instituto de Criminalística (IC) de que foi editado ou manipulado, serve também como um dos argumentos do MP para pedir o afastamento do prefeito de seu cargo.
A gravação de uma suposta conversa do prefeito com os vereadores Jaci Aguiar (PPB) e Orlando Bonilha (PDT) foi exibida aos jornalistas por Belinati, no mês passado. Na ocasião, ele alegou que foi vítima de uma suposta extorsão. Belinati afirmou que a gravação teria sido realizada no dia 28 de fevereiro. Aguiar e Bonilha estariam falando em nome de outros vereadores e pedindo cerca de R$ 100 mil para cada um para não abrir uma CP.
Por causa desta divulgação e de entrevistas que o prefeito concedeu depois afirmando ter mais gravações envolvendo outros vereadores, o MP instaurou um inquérito. Antes de tomarem esta providência, eles já haviam determinado que Belinati encaminhasse a fita com trechos de conversa entre ele e Aguiar. No dia 17 de abril, Belinati entregou material. No mesmo dia, Esteves e Solange encaminharam a fita para o IC. Peritos do IC concluíram que esta gravação, apesar de conter trechos de diálogos, não era a original.
Novo ofício foi encaminhado ao prefeito pelo MP, determinando o envio das fitas originais. Belinati respondeu remetendo, no dia 24 de abril, duas fitas de vídeo e outras duas de áudio. Estamos encaminhando o material original de áudio-visual contendo provas de ilícito praticados pelos vereadores Jaci Aguiar e Orlando Bonilha, afirmou Belinati, no ofício.
O resultado da perícia deste material foi encaminhado ao MP na segunda-feira. Segundo laudo do IC, o conteúdo da fita é editado. Há vários pontos onde se percebe isso claramente tanto no gráfico (visual) quanto no áudio, diz um trecho do laudo. Entende-se por edição qualquer tipo de manipulação da gravação inicial, diz outro trecho do documento. Os peritos observam ainda que o teor da fita enviada no dia 17 de abril (a que contém o diálogo do prefeito com Aguiar) não foi retirada das outras duas fitas apresentadas posteriormente por Belinati como sendo as originais.
O MP aguarda ainda o envio das outras fitas que Belinati alega possuir. Esteves disse que foi enviada uma notificação ao advogado do prefeito, João Graça, determinando a entrega do material. Isso porque Belinati enviou ofício ao MP no dia 28 de abril sugerindo que os promotores procurassem o advogado, já que ele estaria com o material para verificar se há indício de atos ilícitos. O advogado ainda não respondeu aos promotores. Mas, contradizendo o prefeito, João Graça teria dito anteontem, em entrevista coletiva, não ter conhecimento de outras fitas.


