O Ministério Público (MP) de Londrina está investigando mais um possível caso de corrupção na administração do prefeito cassado Barbosa Neto (PDT). Trata-se de suposta cobrança de propina na Secretaria de Trabalho e Emprego, quando era titular da pasta Neiva Vieira. O contrato suspeito, de R$ 25,5 mil mensais com a empresa Brasilserv, sediada em Campo Grande (MS), foi rompido na última sexta-feira após denúncia do atual secretário, Rodrigo Carlo Sotille. Pelo contrato, a empresa disponibilizava 14 funcionários que faziam o atendimento direto ao público, encaminhando para vagas de trabalho ou o pedido de seguro-desemprego.
Rodrigo Sotille disse que passou a ''investigar'' a empresa em 13 de agosto, quando funcionários terceirizados disseram que estavam com os salários atrasados. Constatou então que a empresa não depositava o FGTS, não contribuía com o INSS e não havia registro no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) dos funcionários.
Outro motivo de preocupação do secretário é que quase todos os números de telefone disponibilizados pela empresa estavam desativados. O único que atendeu era de uma lan house, sem relação com a Brasilserv. ''Fiz um relatório e encaminhei ao prefeito e ao Ministério Público'', disse Sotille. ''Não poderia admitir que uma Secretaria do Trabalho empregasse pessoas sem as garantias trabalhistas.''
O secretário relatou que manteve contato com dois representantes da empresa para exigir o pagamento dos salários atrasados. A reportagem apurou que, nesta oportunidade, os empresários teriam sugerido manter um ''pedágio'' supostamente pago a Neiva Vieira para que as parcelas mensais não sofressem atraso. As conversas entre Sotille e os empresários teriam sido gravadas.
O promotor de Defesa do Patrimônio Público Renato de Lima Castro restringiu-se a afirmar que recebeu a representação e que irá ''analisá-la e dar o trâmite normal ao procedimento''.
Com o rompimento do contrato com a Brasilserv, firmado em outubro do ano passado e valor total de R$ 306 mil, os funcionários terceirizados foram dispensados e não compareceram para trabalhar ontem. Servidores da secretaria que exercem funções administrativas passaram a atender o público em três dos quatro postos do Sine - o posto da Rodoviária, onde cerca de 20 pessoas eram atendidas diariamente - foi suspenso. Esta situação que deve perdurar por cerca de 15 dias, até a realização de nova licitação.
A FOLHA tentou ontem manter contato com a Brasilserv, mas ninguém atendeu o telefone cujo número consta do contrato com o município. Neiva Vieira foi procurada em seu celular, mas ao ouvir a identificação da reportagem da FOLHA a ligação foi interrompida.

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