MP investiga escola que ''desapareceu''
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2001
Lino Ramos de Londrina 
O Ministério Público Federal (MPF) em Londrina pediu informações à prefeitura sobre as obras de uma escola agrícola que deveria existir no terreno de 15 alqueires onde a PBV Representações, Eventos e Participações Ltda. construiu um centro de eventos. O imóvel, localizado na zona sul, foi doado à empresa em 1998 pelo ex-prefeito (cassado) Antonio Belinati (sem partido). O ofício questionando o andamento das obras é assinado pelo procurador da República João Akira Omoto.
O pedido partiu do governo federal, que está reastreando obras financiadas com recursos públicos e que estão inacabadas. Segudo o auditor da prefeitura, Osvaldo Alves de Lima, 90% das cinco salas de aula já estavam construídas, além de 50% de um estábulo. Os recursos para a escola começaram a ser repassados pelo Ministério da Educação (MEC) em 1992 e, segundo o auditor, pelo menos R$ 200 mil chegaram a ser investidos nas edificações.
Lima afirmou que mais R$ 740 mil (em valores autalizados) repassados pelo MEC estão em uma conta da prefeitura e devem ser devolvidos ao governo federal. Não podemos utilizar a verba porque não existe escola, achamos que a Justiça vai querer o dinheiro de volta e também haverá responsabilização de quem autorizou a doação da área, comentou. O auditor ainda criticou a doação do imóvel. Primeiramente é lamentável que uma área de R$ 2 milhões tenha sido doada para um centro de eventos, comentou.
O diretor do centro, Paulo Veiga, disse à Folha que nunca teve conhecimento de que a área seria usada para a construção de uma escola agrícola e que a PBV não destruiu construções que seriam do projeto. O centro de eventos é uma aspiração de Londrina há 30 anos e foi construído para promover a cidade. Temos que tomar cuidado para não denegrir a imagem de Londrina.
Veiga disse ainda que somente para este ano estão programadas 15 feiras no espaço construído pela PBV. Foi a Câmara de Vereadores quem atendeu um pedido de Londrina. Cumprimos a lei da melhor forma possível e Londrina tem o melhor centro de eventos do Brasil, acentuou.
O projeto doando a área para o centro de eventos foi assinado por 11 vereadores, entre eles o líder do prefeito cassado Belinati na Câmara, Renato Araújo (PPB). A prefeitura havia enviado dois projetos anteriores para a doação, mas houve substitutivos reduzindo a área e Belinati vetou a matéria.
A discussão do projeto foi cercado de polêmicas e a própria Comissão de Justiça da Câmara deixou a decisão para o plenário e alertou que se tratava de doação de uma área muito grande. A doação também teve parecer favorável da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel). O ex-presidente da companhia, José Cândido Muller não foi encontrado, assim como Belinati e Renato Araújo.
O auditor disse ontem que a folha de pagamento da prefeitura deverá sofrer uma redução mensal de R$ 500 mil, com corte de horas extras, de cargos comissionados e de gratificações consideradas ilegais.


