A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público começa hoje a investigar a denúncia de que ex-diretores da Imprensa Oficial do Estado desviaram cerca de R$ 1,5 milhão do órgão. O ex-diretor presidente Ênio Malheiros e o ex-assessor José Carlos Chain Jabur foram demitidos pelo governador Jaime Lerner (PFL) no final do ano passado. O desfalque só foi confirmado em setembro último, por uma sindicância.
O promotor Francisco de Albuquerque Siqueira Branco, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias Criminais, entregará hoje a documentação do caso ao promotor Munir Gazal, da Coordenadoria de Promotorias do Patrimônio Público. Como se trata de suposta lesão a uma estatal, esse órgão do Ministério Público será o responsável pela apuração.
Ontem, o MP reconheceu ter passado à Folha a informação equivocada de que não havia recebido nenhuma denúncia sobre o suposto desvio. Confirmou que a Secretaria de Justiça encaminhou as conclusões da sindicância no último dia 22.
Realizada por cinco servidores, a sindicância concluiu que a gestão de Ênio Malheiros foi ‘‘desastrosa’’, contribuindo para que houvesse ‘‘corrupção passiva por parte de seus subordinados’’. A Imprensa Oficial é o órgão encarregado de publicar os atos do governo, reunidos principalmente no Diário Oficial do Estado.
Por meio de sua advogada Marcia Jonson, Malheiros negou envolvimento nos desvios apontados e acusou a sindicância de ter realizado um trabalho ‘‘parcial’’, não tornando públicas as denúncias e nem dando chance de defesa aos acusados. Malheiros é amigo do ex-governador José Richa (PSDB), o principal responsável por sua indicação. A demissão dele provocou o rompimento entre Richa e Lerner.
Deputados de oposição chegaram a especular que o dinheiro supostamente desviado teria sido usado na campanha de Beto Richa (PSDB), filho do ex-governador, a deputado estadual, em 98. Ontem, Beto Richa, vice-prefeito eleito de Curitiba na chapa de Cassio Taniguchi (PFL), divulgou nota em que nega essa insinuação, atribuindo-a à ‘‘má-fé de opositores’’.
A nota afirma também que a indicação dos dois demitidos não foi só do ex-governador e seu filho, mas de ‘‘boa parte dos militantes’’ do PSDB, partido da base de sustentação de Lerner. ‘‘Tratava-se de pessoas idôneas, com bons serviços prestados ao Paraná, inclusive durante os governos do PMDB’’, continua a nota. Beto Richa diz que só tomou conhecimento das denúncias ontem, pelos jornais. A Folha procurou o ex-governador, mas foi informada que ele estava em viagem a São Paulo e não foram passados telefones para contato.

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