MP investiga denúncias em Cambira
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Promotoria de Justiça de Apucarana instaurou procedimento para investigar supostos atos de improbidade administrativa que teriam sido praticados pelo prefeito de Cambira, José Cataneo (PMDB). As denúncias e os pedidos de apuração, que foram entregues em março pelo comerciante Paulo Henriques de Oliveira e pelo vendedor Roger Nakad Marrez - este, sobrinho do prefeito e ajudante dele na campanha eleitoral de 2004 -, relatam desde uso de funcionário e maquinário públicos para fins pessoais, até fraude em concurso para beneficiar ex-comissionados.
A primeira denúncia relata uma obra licitada, homologada e paga na integralidade durante o mês de dezembro de 2006. Foram cerca de R$ 66 mil investidos no recape para três pontos da cidade.
''A empresa venceu a licitação e recebeu o dinheiro em dezembro, mas só finalizou a obra 120 dias depois, no início de maio, depois que a denúncia foi protocolada no MP', disse Oliveira. De acordo com ele, a justificativa que teria sido apresentada à época, sobre o atraso no recape, não convenceu. ''Disseram que choveu, mas pedimos à Sanepar um gráfico pluviométrico e ele demonstrou que, nesse período todo, só houve 29 dias de chuva. Por isso a denúncia: se pela Lei de Responsabilidade Fiscal o pagamento deveria estar atrelado à conclusão do contrato, jamais o prefeito poderia ter feito isso. E se a empresa quebrasse?''
A segunda denúncia protocolada trata do suposto uso de funcionários, equipamentos e materiais de construção da Prefeitura na reforma da residência de Cataneo, em maio do ano passado. Ao todo, a peça conta com 19 fotos que comprovariam, segundo os denunciantes, o desvio de recurso público. Em algumas das fotos, o caminhão que aparece dentro de uma casa tem a logomarca da Prefeitura.
A terceira denúncia pede ao MP que investigue também a contratação de parentes do prefeito para cargos em comissão -segundo os autos, seriam a nora, professora efetiva nomeada diretora do departamento de Educação, e o filho dele, secretário de Esportes. Os denunciantes pedem apuração ainda dos salários recebidos pelo casal, pois, alegam, teriam se mudado para Florianópolis e recebido salário durante seis meses.
A última denúncia pede à Promotoria investigação no concurso público para provimento de 14 cargos efetivos - de assistente e auxiliar administrativo, mecânico, assistente social e contador.
O promotor de Apucarana, Eduardo Cabrini, informou que os quatro casos estão sob investigação. ''Sobre o concurso público, já requisitamos há uns dez dias a documentação referente ao processo, e diversos depoimentos estão marcados para começar nos próximos dias'', declarou o promotor, que preferiu não comentar se há indícios de crime.
A FOLHA tentou falar com Cataneo ontem, na Prefeitura, mas foi informada de que ele não estava. A esposa do prefeito atendeu o celular dele e disse que o marido havia saído. Até o fechamento desta edição, ele não retornou o pedido de entrevista.


