MP investiga denúncias dos senadores
Agência Estado
De Brasília
O Ministério Público (MP) receberá dos senadores documentos e denúncias publicadas pela imprensa, por meio das quais os presidentes do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e nacional do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), líder do partido no Senado, puseram em dúvida a reputação um do outro, no confronto que tiveram anteontem em plenário. A decisão foi tomada ontem pelos integrantes da Mesa Diretora do Senado. A proposta de transferir a questão ao MP deve ser aprovada, até mesmo com o apoio de ACM. Ele anunciou que vai pedir aos amigos que votem a favor do requerimento. É uma excelente forma de o Ministério Público elucidar problemas antigos e novos, defendeu, insinuando que muita coisa que chegou ali contra o colega do PMDB ainda não foi examinada.
A vantagem do Ministério Público é que eu posso cobrar diariamente o andamento dos processos da tribuna, anunciou o presidente do Senado. Ele disse que vai apresentar novas denúncias contra Barbalho, além das que encaminhou à Mesa.
De acordo com o vice-presidente da Casa, Geraldo Melo (PSDB-RN), será votado terça-feira o requerimento do senador Roberto Freire (PPS-PE) para dar esse encaminhamento às acusações trocadas entre o senador baiano e o líder do PMDB. Freire também propôs o envio das denúncias ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. Se isso ocorrer, o órgão deve limitar-se a examinar uma eventual quebra de decoro parlamentar dos senadores, uma vez que não dispõe de competência para investigações fora do Senado.
Sobre a reação de alguns parlamentares que reagiram mal à troca de insultos entre os colegas, ACM atacou: Geralmente, os que mais se chocam são vigaristas. Na Inglaterra, que é o país mais civilizado do mundo, tem essas coisas também.
Barbalho disse que o encaminhamento das denúncias depende exclusivamente da Mesa. O que a Mesa decidir está bem, defendeu. O líder disse que concordou com as avaliações de que o Congresso saiu prejudicado pela troca de agressões entre ele e ACM. Quero dizer que os jornais estão corretos, defendeu. Deveríamos lançar nossa energia em coisas mais interessantes para a sociedade brasileira. Ainda assim, disse que não se sentia arrependido porque não teria como recuar na situação limite que lhe foi imposta. Quando se chega a situações limites, é inevitável, argumentou. Você termina satisfeito por a ter enfrentando. Barbalho disse que a posição pessoal daqui para frente vai depender das circunstâncias, enquanto ACM assegurou que vai levar as investigações das denúncias até o fim. Os dois senadores estão decididos a romper definitivamente.
Fora da relação institucional, não tem conversa, defendeu ACM. Após se reunir com os colegas da Mesa, o senador Geraldo Melo mostrou que ainda há questões nesse episódio que devem ser solucionadas. Uma delas é o que fazer com as autorizações recebidas para quebrar os sigilo bancários de ACM e Barbalho. Não estamos investigando ninguém, não abrimos uma CPI (comissão parlamentar de inquérito), então, o que é que poderemos fazer com esses números?, questionou.





