MP investiga denúncia contra prefeito de Ibaiti
MP investiga denúncia contra prefeito de Ibaiti
Patrícia Zanin
O Ministério Público de Ibaiti apura a denúncia do vereador Antônio Carlos Bento (PSDB), que acusa o prefeito Roque Jorge Fadel (PTB) de ter usado dinheiro público para o transporte de terra para um aterro da represa de sua fazenda. Fadel nega. A promotora Maria Cecília Delisi Rosa Pereira solicitará informações da prefeitura e do vereador, além de ouvir as partes, mas não adianta detalhes. Não posso dizer nada sem apurar e o trabalho está apenas começando, disse ela. O procedimento foi instaurado na semana passada.
Junto com a denúncia, o vereador apresentou cópias dos cheques da prefeitura de Ibaiti que, segundo ele, serviram para quitar o serviço de transporte, totalizando R$ 2,1 mil. Ele também anexou uma declaração dos motoristas que trabalharam para Fadel.
Bento apresentou pedido de informações ao prefeito através da Câmara, mas o pedido foi rejeitado por 6 votos a 4. Segundo ele, Roque Fadel tem maioria no Legislativo. Então recorremos ao Ministério Público porque não é admissível usar recurso público para pagar obra particular, reage Bento, que enviou cópia da denúncia ao Tribunal de Contas e à Procuradoria Geral da Justiça.
O vereador também acusa o prefeito de ter se beneficiado com o projeto Caminhos do Saber e da Produção, do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), para asfaltar o acesso à sua propriedade, no distrito de Euzébio Oliveira. Ele preferiu essa estrada ao invés do patrimônio do Café que seria melhor utilizada pela comunidade, garante.
Mas não é só isso, não. O prefeito cometeu outras irregularidades, acusa outro vereador de oposição, João da Silva Reis (PDT). Ele diz que o prefeito extinguiu o fundo de previdência e não criou um novo fundo, apesar de ter prometido resolver a pendência em 60 dias. Reis também acusa Fadel de adquirir passagens rodoviárias para assistência social apenas de sua empresa, a Jóia. Ele reclama ainda da falta de prestação de contas e o uso de estatísticas sobre redução de mortalidade obtidas na administração anterior para promoção pessoal.
Roque Fadel (foto) rebate todas as acusações. Segundo ele, os cheques apresentados dizem respeito a um serviço de cascalhamento. O serviço na represa eu paguei com cheque meu, de R$ 2.420,00, mas esse ele não apresentou e eu vou mostrar. É maldade do vereador. Ele diz que o acesso à estrada do distrito Euzébio de Oliveira estava impraticável e por isso resolveu determinar o cascalhamento, cujo pagamento foi feito com cheque do município.
Já sobre o projeto Caminhos do Saber ele diz ter entregue três alternativas ao DER (Departamento de Estradas e Rodagens), responsável pelo projeto. A escolha foi deles, afirmou. O prefeito reconhece, porém, que foi beneficiado. É lógico que me beneficio com o asfalto, mas eu também recolho imposto.
Fadel diz que o asfalto beneficiará 67 alunos, 32 propriedades e produtores de Figueira. Oitenta por cento dos produtores de Figueira usam essa estrada, garante. O líder do prefeito na Câmara, vereador Gilmar Ferreira Cândido (PFL), encaminhou à Folha cópia de um requerimento aprovado no ano passado por todos os vereadores apontando duas estradas para o programa Caminhos da Educação: da BR-153 ao Patrimônio do Café e do distrito de Euzébio de Oliveira à fazenda Dinorá. A denúncia do vereador sobre o asfalto no distrito de Euzébio me causa estranheza porque ele próprio aprovou. É uma denúncia vazia que não tem sentido, diz.
Sobre o Fundo de Previdência, o prefeito garante que a situação está regularizada. Quanto à denúncia de privilegiar a compra de passagens de sua empresa, ele alega que existem duas empresas no município e a prefeitura compra de quem tem na hora. O prefeito não tinha um levantamento sobre o volume de passagens compradas. Isso depende da procura.
Para ele, as denúncias têm cunho político. O vereador (Carlos Bento) é gerente de um posto de gasolina e quer receber no posto por uma dívida que não existe e isso gerou raiva dele, acusa. O caso motivou uma execução contra a prefeitura, que contesta a ação. Ele quis cobrar uma dívida em duplicata, diz o prefeito. O vereador nega.





