Em depoimento no inquérito que apura se houve improbidade administrativa na condução do leilão da Telebrás, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, apresentou um número de CPF do Rio diferente do apurado pelos procuradores no banco de dados da Receita. Na Bahia, Daniel Valente Dias tem o registro número 086470705-34. Mas durante o depoimento, no entanto, o banqueiro disse desconhecer esse número e apresentou um CPF do Rio de número 063917105-20. Nos dois CPFs, consta a mesma data de nascimento: 3/10/1954. ‘‘É uma informação lateral, que não é objeto da investigação, mas não posso me omitir e tenho que passar o dado para a Receita, que irá esclarecer isso’’, afirmou o procurador da República Rogério Nascimento. Ele vai enviar ofício à Receita Federal para esclarecer o fato.
O procurador não afasta a hipótese de o banqueiro ter um homônimo - que, mais do que isso, teria de ter nascido no mesmo dia - mas considerou o fato ‘‘inusitado’’ e fez constar do termo de declarações que Dantas não sabia de quem era o CPF apurado na Receita. Na verdade, a confusão só veio à tona porque, no início do depoimento, os procuradores esqueceram de pedir o número do CPF do banqueiro. Ao final, perguntaram se o número da Bahia era dele. Dantas negou, mas não lembrava do número de seu CPF e teve de ligar para o Opportunity para pegar a informação.
O inquérito prosseguiu ontem com o depoimento do presidente do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), Jair Bilacchi. Ele disse aos procuradores não se lembrar de ter conversado com o ex-ministro das Comunicações, Mendonça de Barros, sobre garantias e cartas de fiança. Segundo Bilacchi, nas conversas com Mendonça de Barros, o ex-ministro demonstrava interesse em saber quais eram os grupos e negócios já fechados e quem tinha dificuldades em montar os consórcios.
Ele manteve a versão divulgada em nota oficial pela Previ, de que a entrada do fundo de pensão no consórcio que ganhou a Tele Norte Leste aconteceu apenas depois do leilão. Bilacchi também disse que era possível o ministro ter se referido, numa conversa, ao fato de estar em companhia de um dos sócios do Opportunity, Pérsio Arida, mas que não se lembra disso. Em seu depoimento ontem, Arida negou ter presenciado alguma conversa telefônica entre Bilacchi e Mendonça. Nas fitas gravadas por meio de grampo no BNDES, o ex-ministro diz a Bilacchi estar ao lado de Pérsio Arida. Mendonça e o ex-presidente do BNDES, André Lara Resende, vão depor no dia 10; o ex-vice José Pio Borges no dia 7 e o ex-diretor do BB Ricardo Sérgio de Oliveira no dia 11, em São Paulo.

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