MP investiga concorrência para videoloterias no Paraná
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual abriu um inquérito civil para investigar o edital de concorrência pública para exploração do serviço de videoloterias no Paraná. Trinta e duas empresas compraram o edital de licitação, mas apenas três se credenciaram para a disputa. Duas delas foram descredenciadas no decorrer do processo, uma por falta de certidão negativa de débitos junto ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e outra por descumprimento do edital.
Apenas uma chegou até o final da licitação: Larami Diversões e Entretenimento, de propriedade do grupo argentino liderado por Roberto Sérgio Coppola e da empresa goiana Brazilian Gaming Partners Participação, Administração e Empreendimentos, que tem como um dos sócios o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlos Cachoeira e que teve o nome envolvido no escândalo envolvendo o ex-assessor parlamentar da Casa Civil do Palácio do Planalto Waldomiro Diniz.
Fitas com gravações de conversas demonstram que Diniz pedia propina para Carlos Cachoeira, quando ele (Diniz) ocupava a presidência do Serviço de Loterias do Rio de Janeiro (Loterj). O dinheiro seria para o financiamento de campanhas como a de Rosinha Matheus (PMDB-RJ); Benedita da Silva (PT-RJ) e Geraldo Magela (PT-GO). Em troca, Diniz oferecia numa das fitas analisadas pela Polícia Federal (PF) um edital de licitação para que o empresário modificasse de acordo com os seus próprios interesses.
O edital do Paraná foi questionado no Tribunal de Contas (TC) e no MP pela empresa multinacional Ghetec, que operou o sistema de loterias no Estado entre os anos de 1997 e 2001. O MP iniciou no dia 31 de outubro de 2001 um inquérito, que já está em fase final. Entre as denúncias que estão sendo investigadas estão a lavagem de dinheiro, a subcontratação para o fornecimento de terminais de videoloterias e a constituição da empresa pouco antes do lançamento do edital.
''São denúncias que estão sendo investigadas ainda. A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) vai fazer nos próximos dias a perícia técnica nas máquinas. Existe a suspeita de que os terminais de videoloteria se caracterizariam como verdadeiras máquinas de caça-níqueis e de lavagem de dinheiro'', pontuou a promotora do Centro de Apoio das Promotorias do Patrimônio Público, Izabel Cláudia Guerreiro.
Ela não quis adiantar se as supostas irregularidades apontadas já foram comprovadas no decorrer das investigações. No entanto, a Larami subcontratou mais de 500 máquinas e emitia 120 relatórios diários com histórico do faturamento de cada videoloteria. Ela apenas gerenciava o sistema de controle de máquinas que eram instaladas por quatro fabricantes do ramo. O contrato previa a instalação de duas mil máquinas em 18 meses e tinha vigência de cinco anos.


