MP investiga compra de voto em Ponta Grossa
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sexta-feira, 27 de junho de 2008
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) em Ponta Grossa instaurou ontem um inquérito civil público para apurar se o vereador Francisco Valentim Filho (PSB), conhecido por ''Baixinho'', recebeu dinheiro para votar a favor de um projeto de lei que autoriza o consumo de bebidas alcoólicas em postos de combustíveis. A investigação, que ficará a cargo da promotora Dorenides Guerra Pires, à frente da Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, se iniciou com base numa entrevista concedida à imprensa anteontem, na qual ''Baixinho'' afirma que teria sido assediado por donos de postos de combustível.
Na entrevista, o vereador revela que ofereceram dinheiro para a sua campanha eleitoral, em troca do seu voto a favor da proposta que ainda seria votada na Câmara. Ele disse ainda que recusou o dinheiro oferecido e que sua posição, contrária ao projeto de lei, não mudaria. Na última quarta-feira, entretanto, durante a discussão do assunto na Câmara, o vereador acabou votando favorávelmente à matéria.
Ontem, em entrevista por telefone, ''Baixinho'' voltou a afirmar que não teria recebido qualquer benefício para votar a favor do projeto de lei. Segundo ele, a decisão ocorreu no momento em que o público que acompanhava a votação no plenário começou a ''desrespeitar'' os vereadores. Ele se refere especialmente ao ''comportamento'' do presidente do Conselho Comunitário de Segurança (CCS), Douglas Fonseca. O CCS, que reúne 74 entidades da região, era um dos movimentos que defendia a derrubada do projeto de lei. ''Eles começaram a jogar garrafas d'água nos vereadores e a chamar a gente de ladrão, de corrupto. Eu sou contra o consumo de bebidas nos postos, mas naquele momento resolvi votar com o plenário, e contra o desrespeito'', argumentou.
Fonseca disse à reportagem que os vereadores tentaram ''esvaziar'' a Câmara para votar a matéria, o que teria ''irritado o povo''. ''Eles começaram a sessão às 15 horas com uma homenagem a um grupo japonês, depois suspenderam a sessão e só retornaram às 19h30. O povo foi perdendo a paciência e de fato alguns gritaram palavras baixas, mas aquela manifestação toda não era contra o 'Baixinho', que foi o primeiro vereador a apoiar o movimento e a dizer que votaria contra o projeto de lei'', conta ele. O projeto recebeu o apoio de oito vereadores e seis votaram contra a matéria.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ponta Grossa e porta-voz do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral na cidade, Henrique Hememberg, promete entrar na Justiça contra a decisão da Câmara. ''Eles foram na contramão dos interesses da sociedade'', afirmou. O MP já solicitou a fita com a gravação da entrevista e a cópia do projeto de lei aprovado na Câmara. Em seguida, ''Baixinho'' deverá ser ouvido.


