MP investiga compra da Record por ''laranjas''
Agência Folha
De São Paulo
O Ministério das Comunicações vai investigar a venda da Rede Record de Televisão a pessoas ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus, oito anos após a negociação ter sido concretizada.
Hoje, o delegado Gil Ribeiro Filho, da Delegacia do Ministério das Comunicações no Rio de Janeiro, irá à sede da emissora em busca de todos os documentos da negociação.
Caso ele encontre qualquer suspeita de irregularidade, o ministério deve abrir um inquérito. Segundo Paulo Menicucci, secretário de serviços de radiodifusão do ministério, o processo pode gerar multa ou cassação da concessão.
A investigação partiu de declarações do comerciante José Antônio Alves Xavier, sócio da emissora. Segundo ele, a direção da Universal o usou como laranja na compra. Ele promete processar a igreja por danos morais por ter sido usado no negócio.
Xavier e outras cinco pessoas adquiriram a empresa por US$ 20 milhões, em 92, com empréstimos feitos por dois bancos com sede nas ilhas Cayman, paraíso fiscal no Caribe. Os negócios da Universal em Cayman foram revelados por reportagem da Folha de S.Paulo em 18 de julho do ano passado.
O comerciante afirmou que era fiel da igreja e foi convencido a entrar no negócio pelo pastor Laprovita Vieira, hoje deputado estadual no Rio pelo PPB. Ele disse ter cedido apenas seus documentos garante não ter recebido nada pelo negócio. A denúncia teria sido motivada por vários processos a que responde, decorrentes da compra da emissora. A direção da emissora preferiu não comentar o assunto.





