A Justiça Eleitoral de Foz do Iguaçu apreendeu ontem cestas básicas encontradas no carro de um candidato a vice-prefeito da cidade. O caso será enviado ao Ministério Público, que pode pedir cassação de candidatura, caso seja comprovado favorecimento a eleitores em troca de voto. O promotor Luiz Francisco Barletta Marchioratto adiantou ontem à tarde à Folha que pretende analisar o caso ainda hoje pela manhã. Ele preferiu não fazer qualquer comentário sobre a apreensão. O candidato disse que os produtos apreendidos eram compras domésticas e apontou adversários de tentarem atrapalhar sua campanha.
Erivelto Martins da Silva, que concorre ao cargo de vice juntamente com o atual prefeito e candidato à reeleição Harry Daijó (PPB), foi abordado pelo oficial de Justiça Ricardo de Tarso Taborda, auxiliado por dois policiais militares, pouco depois das 11 horas de ontem no bairro Vila C, região norte da cidade. Taborda estava com um mandado assinado pelo juiz Eleitoral, Paulo Damas, que autorizou as buscas após de receber uma denúncia via fax.
Depois de solicitar a Silva que abrisse o porta-malas do carro, o oficial de Justiça encontrou duas cestas-básicas pesando cerca de 20 quilos cada uma. Segundo os policiais, o candidato aceitou entregar o material, mas preferiu não se pronunciar sobre o caso no local. Disse apenas que estava na residência de um amigo. Após registrar a ocorrência, o material apreendido foi levado para a chefe da 205ª Zona Eleitoral de Foz, Maria Beatriz Alves, que ficou como fiel depositária até o caso ser encaminhado ao Ministério Público.
‘‘O relatório do caso será encaminhado juntamente com as cestas à Promotoria de Justiça. Caberá ao promotor decidir se solicitará ou não abertura de inquérito’’, explicou Maria Beatriz, destacando ainda que, caso seja comprovado favorecimento em troca de votos, o acusado pode ter sua candidatura cassada.
Alem do cancelamento do registro no Cartório Eleitoral, o ato de doar, receber, promover e entregar bem ou vantagens durante a campanha, segundo a Lei Eleitoral 9.840, resulta ainda em multa que varia de mil a 50 mil Ufirs.
A Folha procurou o candidato, mas ele indicou a assessoria do partido para falar sobre o assunto. A informação dada foi que as cestas básicas eram na verdade compras feitas por Silva pouco antes de ser autuado.
‘‘Tanto é verdade que ele estava na casa de um amigo em seu próprio bairro. Além disso, ele está ciente que dentro de uma campanha eleitoral qualquer doação seria ilegal’’, disse um assessor, ressaltando ainda o envolvimento de adversários políticos. A denúncia enviada via fax à Justiça Eleitoral foi assinada por Elson de Jesus Marques, um dos assessores diretos do candidato a prefeito Sérgio Spada (PSDB).
O material retido no Fórum custa cerca de R$ 50,00. Todos os produtos (arroz, feijão, açucar, farinha e óleo) ainda estavam dentro de sacos plásticos com a inscrição ‘‘Cesta Básica’’ de um supermercado da cidade.

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