MP investiga apropriação de salário por vereadora
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quarta-feira, 08 de fevereiro de 2006
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Maringá instaurou inquérito civil público para investigar denúncia de apropriação indébita de salários de assessor por parte da vereadora Edith Dias (PP), primeira-secretária da Câmara Municipal maringaense. O advogado da vereadora, Israel Batista de Moura, classificou o assunto como ''boato'' e ressaltou que a defesa ainda não foi intimada a respeito (leia nesta página).
A denúncia documentada com uma gravação em áudio e com a quebra de sigilo bancário da suposta vítima foi apresentada ao Ministério Público (MP) pela ex-assistente parlamentar da vereadora, Rosimeri Joveni. A fita teria sido gravada no último dia 23 de dezembro, no gabinete da parlamentar, durante conversa supostamente ocorrida entre a então assessora e a denunciada.
Em 23 minutos e 14 segundos de gravação, conforme a denúncia, é realizado um acerto de contas em função do desligamento de Rosimeri da função. Na discussão, a mulher identificada por Rosimeri como Edith sugere que a ex-funcionária, remunerada em R$ 550 mensais, teria de lhe devolver uma parte do salário, localizada na conta pessoal de ''Rosi''. No decorrer do áudio, a ex-assessora teria se negado a repassar o pagamento da exoneração e a parte que faltaria para completar um salário superior a R$ 1 mil líquidos.
À promotoria, a ex-assistente declarou que todo mês sacava o salário de assistente parlamentar de um banco, ficava com R$ 550 para si e entregava o que sobrava, em um envelope, à vereadora, a qual usaria a verba para pagar outros funcionários.
De acordo com o promotor José Aparecido da Cruz, que recebeu o material na última sexta-feira, a gravação apresenta ''indícios de ato de improbidade'', apesar de, admite, ainda não estar comprovada a autenticidade, tampouco feita a degravação do que foi exposto. ''Precisamos ainda degravar e ouvir as pessoas supostamente envolvidas. Em se comprovando os fatos, o Ministério Público propõe ação'', disse Cruz.
Conforme o promotor, serão apuradas as suspeitas de peculato (delito cometido por funcionário público que se aproveita do cargo para desvio ou enriquecimento ilícito), concussão (extorsão ou peculato cometido por funcionário público) e ato de improbidade com enriquecimento ilícito. ''A ex-assessora nos apresentou a quebra do sigilo bancário da própria conta e disse que o repasse à vereadora ocorria desde meados de 1997. Mesmo assim, oficiamos ontem (segunda-feira) a presidência da Câmara para que nos passem informações de quanto a Rosimeri ganhava, bem como sua progressão salarial'', informou.


