Os promotores do Ministério Público (MP) estadual ouviram ontem o depoimento do diretor da Agência de Fomento do Paraná órgão vinculado ao governo do Estado e ex-secretário de Finanças da Prefeitura de Curitiba Antônio Carlos Araújo, a respeito das denúncias de existência de um caixa 2 na campanha do prefeito Cassio Taniguchi (PFL). A agência teria sido citada por uma das testemunhas ouvidas pelo MP como sendo a responsável por parte do repasse dos R$ 29,8 milhões que supostamente não teriam sido declarados à Justiça Eleitoral.
Em seu depoimento, que durou cerca de uma hora, Araújo negou ter trabalhado na campanha de reeleição de Cassio. ''A Agência de Fomento realizou seus primeiros trabalhos em julho de 2000. Eu estava muito ocupado para participar de uma campanha, o que me obrigaria a me afastar do cargo'', explicou.
O diretor não acredita na veracidade das denúncias contra a coligação que elegeu o prefeito. ''Com R$ 30 milhões pode se fazer uma eleição para presidente. Esse valor é absurdo, e eu não entendo os motivos que levaram o sr. Francisco Paladino a agir dessa maneira'', afirmou Araújo. Francisco Paladino Júnior foi tesoureiro da campanha de Cassio no ano passado e afirmou ter sido o responsável pelo livro-caixa que está no MP.
Araújo admitiu que durante a campanha visitou algumas vezes Mário Lopes Filho, que desincompatibilizou-se de seu cargo na Agência de Fomento para tornar-se coordenador do comitê financeiro de Cassio. As iniciais de Lopes Filho aparecem várias vezes nos documentos entregues pelo PMDB ao MP. Ele é apontado como o responsável pelo repasse de R$ 16,8 milhões ao comitê. Quase diariamente, entradas no suposto livro-caixa registram a inscrição ''Recebido M.L.F.'', movimentando quantias que variavam de R$ 2,3 mil até R$ 2,02 milhões.
O único período significativo em que a inscrição ''Recebido M.L.F.'' não aparece nos documentos entregues pelo PMDB é nos 20 dias que se seguiram após a eleição de segundo turno, no dia 29 de outubro. Nesse intervalo, a sigla M.L.F. é substituída pelo nome ''Araújo'', movimentando R$ 1,58 milhões. Antônio Carlos Araújo, que foi coordenador-geral da campanha de Cassio à prefeitura em 1996, nega que tenha trabalhado no comitê financeiro mesmo após a votação ter sido encerrada.
Lopes Filho já prestou depoimento ao Ministério Público e negou a autenticidade dos documentos. Confrontado com recibos supostamente assinados por ele, Lopes Filho afirmou tratar-se de falsificações. Está previsto para hoje o resultado do exame do Instituto de Criminalística para apurar se a caligrafia encontrada nos recibos é similar ou não à de Lopes Filho.

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