A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina instaurou inquérito civil contra o procurador-geral do Estado, Paulo Sérgio Rosso, por suposto ato de improbidade administrativa, "consubstanciado em possível conflito de interesses", ao ajuizar ação para anular acordo de colaboração premiada firmado entre o Ministério Público (MP) e o auditor Luiz Antonio de Souza, principal delator da Operação Publicano, que apura a existência de esquema de cobrança de propina na Receita Estadual de Londrina e de sonegação fiscal.
Na portaria, assinada em 20 de abril, o promotor Renato de Lima Castro aponta que a referida ação – já julgada improcedente pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, titular dos processos da Publicano – "colidem com os interesses da pessoa jurídica interna – Estado do Paraná".
Foi Nanuncio quem remeteu ao MP cópia da ação para apuração da conduta do procurador. Para isso, considerou afirmações do advogado do delator, Eduardo Duarte Ferreira, para quem a intenção da PGE ao anular a delação seria unicamente blindar o governador Beto Richa (PSDB), citado pelo delator como suposto beneficiário do esquema de corrupção. Dinheiro obtido da propina, disse Souza, teria sido usado na campanha de reeleição do tucano, em 2014, fato negado tanto por Beto quanto por seu partido.
No despacho, o promotor também remete cópia do inquérito civil à Procuradoria Geral da República, que instaurou procedimento para apurar a conduta do governador, com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde Beto, por ser governador, tem foro pra responder a processos criminais.
Em nota, a PGE disse que não tem conhecimento de instauração de inquérito civil, "mas reafirma que não deixará se intimidar e continuará pugnando contra os termos comprovadamente lesivos ao erário estadual e que constam do termo de delação premiada". Um dos argumentos da PGE na ação que tentava anular o acordo era que o auditor comprometeu-se a devolver menos (R$ 20 milhões) do que o valor que teria obtido ilicitamente.

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