Maringá - A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público protocolou ontem uma ação de improbidade administrativa contra 13 pessoas, entre elas, o ex-prefeito Jairo Gianoto, o ex-secretário de Fazenda, Luiz Antônio Paolicchi e o doleiro de Londrina, Alberto Youssef, pedindo o ressarcimento de mais de R$ 2,8 milhões desviados da Prefeitura de Maringá. As investigações da promotoria mostraram que o dinheiro percorreu pelo menos cinco estados brasileiros e foi utilizado para compra de dólares, passagens aéreas para diversos países, além de presentes, como cestas de natal, para autoridades do Palácio do Iguaçu, Assembléia Legislativa e Tribunal de Contas.
Segundo o promotor responsável pelas investigações, José Aparecido da Cruz, o ex-secretário gastou em uma loja de produtos importados de Maringá, entre agosto e dezembro de 1999, cerca de R$ 84 mil em presentes pessoais e para amigos. Foi nesta loja também que Paolicchi adquiriu 100 cestas para o Natal de 1999, sendo que seis delas custaram cada uma R$ 3.071,00. Além de autoridades de Curitiba, as cestas também foram distribuídas para políticos e empresários de Maringá. A compra era supervisionada pela ex-chefe do cerimonial da prefeitura que confirmou à promotoria que a maioria dos pedidos era de Paolicchi, mas também obedecia ordens de Gianoto.
Passagens aéreas para Johanesburgo, Zurique, Moscou, Milão, Londres, Los Angeles e Genova para viagens de amigos e amigas do ex-secretário também foram bancadas com dinheiro da Prefeitura de Maringá. As investigações do MP descobriram um esquema utilizado por Paolicchi para compra dólares com dinheiro do município. O ex-secretário chegou também a pagar uma parcela de um leasing de um helicóptero comprado de terceiros e transferido para uma mineradora de água de propriedade de Paolicchi.
O ex-secretário está preso desde dezembro de 2000. A defesa do ex-prefeito só se manifesta no processo. O advogado de Youssef, João Gomes, disse ontem que o seu cliente nunca negou a existência de relações comerciais com Paolicchi. Gomes afirmou que Youssef não tinha conhecimento de que o dinheiro usado pelo ex-secretário era da Prefeitura de Maringá.
Esta é a quarta ação civil pública contra a administração do ex-prefeito Jairo Gianoto (gestão 1997-2000), cujos desvios naquele período somam mais de R$ 52,2 milhões. Nas outras duas administrações anteriores, do ex-prefeito e atual deputado federal Ricardo Barros (PPB), gestão 1989-1992 e de Said Ferreira (1993-1996), a promotoria protocolou três ações por irregularidades que ultrapassam R$ 42,1 milhões. Nestas gestões, Paolicchi também figurou como diretor ou secretário de Fazenda. Segundo Cruz, as sete ações mostram que o dinheiro foi desviado sem qualquer comprovante de despesa ou por meio de processo de licitação.

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