MP ingressa com ação contra Said e Paolicchi
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de dezembro de 2001
Marta Medeiros<br>De Maringá 
O Ministério Público (MP) ingressou ontem com uma ação por improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Maringá Said Ferreira (gestão 1993-1996) e o ex-secretário de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi pelo desvio de mais de R$ 9,4 milhões. A ação envolve ainda outras oito pessoas, entre elas, o doleiro Alberto Youssef, de Londrina, que teria sido responsável pelo movimento de quase R$ 5 milhões do dinheiro da Prefeitura de Maringá. O MP pede a indisponibilidade de bens dos acusados e o pagamento de três vezes do valor desviado.
As investigações da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público se concentraram entre agosto de 1994 e 1995. Na ocasião, segundo o MP, foram desviados exatos R$ 3.730.322,80 que, em valores corrigidos, ultrapassam R$ 9,4 milhões. O dinheiro saiu da prefeitura em 30 cheques da conta corrente do município, na Caixa Econômica Federal.
Segundo o promotor José Aparecido da Cruz, o mecanismo utilizado para o desvio era o mesmo de um dos esquemas de Paolicchi com o ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido). Os cheques eram emitidos sem qualquer contrapartida na contabilidade da prefeitura. As investigações mostraram também que cerca de R$ 1 milhão foi desviado através de empresas fantasmas.
Grande parte do dinheiro cerca de R$ 5 milhões teria ido parar na conta de Youssef e aproximadamente R$ 700 mil na conta da irmã dele, Olga Youssef. Durante as investigações, o MP rastreou e encontrou o dinheiro desviado em outras quatro contas correntes. Os cheques do município eram assinados por Paolicchi (na ocasião chefe de contabilidade) e pelos ex-secretários de Fazenda Rubens Weifort (1994) e Osmar Bento Zaninello (1995), além da funcionária pública Rosemeire Castelhano Barbosa. A ação envolve ainda o paraguaio Oscar Bogado, Aurélio Barreto e a empresa Maia Representações S/C.
O promotor pede para que a Justiça envie cópias da ação para a Receita Federal e o Ministério Público Federal por causa dos crimes de formação de quadrilha, peculato, crime de responsabilidade (envolvendo o ex-prefeito) e sonegação fiscal.
Com esta ação, sobem para cinco os processos que Paolicchi responde na Justiça estadual. O ex-secretário é réu também em outros dois processos criminais na Justiça Federal.
Said responde a três processos na Justiça Estadual, enquanto o ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido) é alvo de nove processos, além de uma ação na Justiça Federal. Em novembro de 2000, o MP já havia detectado que parte do dinheiro desviado na gestão de Gianoto era movimentado pelo doleiro londrinense.
Cálculos do MP já apontam desvios na ordem de R$ 33,4 milhões durante a gestão de Said e de outros R$ 49,5 na gestão de Gianoto. A maior parte do esquema teria sido comandada por Paolicchi, preso há um ano em um quarto especial da Polícia Militar de Maringá. A sentença do processo que originou a prisão do ex-secretário deve sair até o dia 7 de janeiro.
A Folha procurou ontem o advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, mas, segundo a secretária do escritório, ele retorna hoje de uma viagem. Said não foi localizado pela reportagem.


