MP inclui Youssef em desvios de Maringá
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2003
Marta Medeiros<BR>Equipe da Folha 
Maringá A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público denunciou ontem por crimes de responsabilidade, peculato e formação de quadrilha, o ex-prefeito de Maringá, Said Ferreira (sem partido), o ex-secretário de Fazenda, Luiz Antônio Paolicchi e o doleiro de Londrina, Alberto Youssef. Outras 11 pessoas, entre empresários, laranjas e cambistas, de Maringá, Londrina e Foz do Iguaçu, também foram denunciados pela promotoria. Durante a gestão de Said Ferreira (1993 a 1996), foram apurados desvios na ordem de R$ 32 milhões.
Segundo o promotor José Aparecido da Cruz, parte do dinheiro foi transformado em dólar, por meio de contas CC5 (que permitem o envio de dinheiro para o exterior) e endosso de cheques da Prefeitura de Maringá para a compra da moeda americana através de Youssef, a irmã dele, Olga Youssef Soloviov e a cunhada Cristina Fernandes da Silva Costa. Nas investigações, a promotoria apurou que somente o doleiro Youssef operou R$ 12 milhões. Outros dois empresários de Londrina, ligados ao doleiro, teriam transformado R$ 7 milhões de dinheiro público em dólar.
O ressarcimento do dinheiro desviado da prefeitura na gestão de Said é objeto de duas ações civis da promotoria que tramitam no Fórum de Maringá. Nesta denúncia criminal, o promotor já está arguindo a inconstitucionalidade da lei 10.628/02 que dá foro privilegiado a ex-ocupantes de cargos políticos, para evitar que o processo tramite pelo Tribunal de Justiça.
A promotoria estadual decidiu oferecer a denúncia para evitar a prescrição dos crimes. Alguns fatos, como o envio de dinheiro ao exterior, poderiam ter sido alvo do Ministério Público Federal, mas no caso de Maringá, a procuradoria não ofereceu denúncia porque ainda analisa se a matéria pertence à Justiça Federal de Londrina ou de Foz do Iguaçu. ''Na dúvida, o MP estadual ofereceu a denúncia para evitar que os fatos fiquem somente no histórico da cidade e não façam parte do mundo jurídico'', afirmou Cruz.
O rombo no cofre da Prefeitura de Maringá passa de R$ 100 milhões. A promotoria acompanha outros quatro processos por improbidade administrativa contra o ex-prefeito Jairo Gianoto. Paolicchi atuou como secretário de Fazenda de Gianoto e como tesoureiro de Said Ferreira. O ex-secretário está preso desde dezembro de 2000.
A Folha tentou falar com o ex-prefeito Said Ferreira, em Florianópolis (SC), onde está de férias, mas o telefone não atendeu na tarde de ontem. A reportagem também tentou ouvir Beto Youssef, mas ele não foi encontrado. No escritório do seu advogado, João dos Santos Gomes Filho, informaram que este estava em Cuiabá atendendo a clientes.


