MP inclui Gionédis em ação contra Banestado
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quarta-feira, 03 de novembro de 2004
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) federal protocolou ontem um pedido para acrescentar o nome do ex-Chefe da Casa Civil do Paraná, ex-secretário da Fazenda e ex-presidente do Conselho do Banco do Estado do Paraná no governo de Jaime Lerner (PSB), Giovani Gionédis, à denúncia feita novembro de 2003 que acusa oito pessoas de crimes contra o sistema financeiro nacional, entre elas o diretor de operações do Banestado Gabriel Nunes Pires Neto. Segundo o MP federal há provas de que Gionédis era o mandante das operações financeiras criminosas no Banestado descrita na denúncia.
Segundo o MP federal, Gionédis, como presidente Conselho do Banestado, determinou que o diretor de operações internacionais do Banestado beneficiasse as empresas Jabur Toyopar Importação e Comércio de Veículos Ltda, Redram Construtora de Obras Ltda e Tucumann Engenharia e Empreendimentos Ltda com concessões irregulares de empréstimos por meio da agência do banco nas Ilhas Cayman. Em seu depoimento, Pires Neto afirmou que Gionédis recebia propina para liberar os empréstimos e alegou que o dinheiro seria usado como contribuição de campanha para a reeleição de Lerner, então governador Paraná, coordenada pelo ex-secretário.
O MP federal informou que em meados de agosto de 1998 Gionédis recebeu US$ 100 mil ao conceder um empréstimo de US$ 1 milhão à Tucumann, com vencimento para março de 1999. O dinheiro foi entregue a Pires Neto, que repassou a Gionédis. Na mesma época, o ex-chefe da Casa Civil liberou mais US$ 1 milhão à Redram, com a mesma data de vencimento, recebendo mais US$ 100 mil. O dinheiro da propina também foi dado a Pires Neto. O terceiro empréstimo, segundo o MP federal, aconteceu no dia 27 de agosto de 1998, quando Gionédis autorizou a liberação de US$ 1,5 milhão para a Jabur Toyopar, com vencimento para fevereiro de 1999, recebendo uma propina de US$ 131,3 mil.
Além da propina, o MP federal ressalta que quando os empréstimos foram concedidos e as datas de vencimento definidas, Gionédis e Pires Neto já sabiam que as atividades da agência do Banestado nas Ilhas Cayman se encerrariam no dia 5 de janeiro de 1999. Os ativos remanescentes foram cedidos ao Trade Commerce Bank (TCB), instituição bancária sem representatividade no mercado financeiro internacional.
Segundo o MP federal, todas as operações de empréstimo, que geraram um prejuízo de cerca de US$ 9 milhões, apresentavam irregularidades, como ausência de procedimento formalizado de solicitação de crédito, ausência de avaliação econômica do tomador do empréstimo, oferecimento, como única e exclusiva garantia, de notas promissórias, com aval dos denunciados, sem a verificação da existência de lastro patrimonial para garantir o ressarcimento do banco em caso de eventual inadimplência.


