Curitiba - Não é a primeira vez que o Ministério Público (MP) do Paraná se torna alvo do Legislativo. Em agosto de 2007, circulou na Assembleia Legislativa uma proposta que permitia que os parlamentares fossem investigados exclusivamente pelo procurador-geral de Justiça e chefe máximo do MP, vedando a possibilidade a qualquer outro promotor ou procurador de Justiça. A proposta gerou polêmica e não chegou a ser votada. Coincidentemente, naquele mesmo mês, terminava o prazo dado ao MP para que os deputados estaduais se manifestassem sobre a lista de parentes que mantinham empregados na Casa, em cargos de provimento em comissão.
O Legislativo também já foi usado pelo ex-governador Roberto Requião (PMDB), que ameaçou reduzir a fatia do orçamento destinada ao MP para o exercício de 2008. O caso mais emblemático dos últimos cinco anos, contudo, continua sendo o desmantelamento da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), atual Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao MP, no mesmo ano em que a PIC abriu uma investigação sobre um esquema ilegal de interceptações telefônicas supostamente comandado por Délcio Rasera, policial civil que estava cedido ao Palácio Iguaçu desde 2003. O nome de Rasera também foi relacionado por adversários ao do peemedebista, que disputava a reeleição.
Em novembro de 2006, o então governador Requião pediu para que a equipe da PIC desocupasse o imóvel que utilizava como sede em Curitiba e que tinha sido cedido pelo Executivo. A ameaça, contudo, não foi concretizada. A equipe do Gaeco hoje permanece na mesma sede. Naquele mesmo ano, a PIC também recebeu um ofício da Polícia Militar no qual era solicitada a apresentação junto à PM dos sete militares que atuavam no órgão. Os militares teriam de fato saído da PIC, mas a PM depois voltar a integrar o órgão.

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