Curitiba - O Ministério Público (MP) federal vai investigar as irregularidades detectadas numa auditoria realizada pela Kroll, empresa de renome internacional especializada em fraudes contábeis, e que apontou um prejuízo financeiro aproximado de R$ 180 milhões na Fundação Copel somente no ano de 2003. O pedido formal de investigação foi protocolado no dia 29 de abril deste ano pelos membros do Conselho Deliberativo da fundação. Conforme matéria publicada pela Folha ontem, a Kroll encontrou problemas na aplicação dos recursos, pagamentos indevidos de tributos e compras de papéis sem valor no mercado. A Fundação Copel é o fundo de previdência dos funcionários da Companhia Paranaense de Energia (Copel). De acordo com o MP federal, a denúncia será encaminhada a um procurador na próxima semana.
O atual presidente da Fundação Copel, Murilo Batista Junior, passou o dia em reunião e não atendeu à Folha. No final da tarde divulgou uma nota oficial em conjunto com a assessoria da Copel, onde afirma que a atual direção da fundação ''vem executando as recomendações do Conselho Deliberativo, como a implantação de medidas que ampliem o controle, a segurança e a transparência na aplicação e administração dos investimentos''. A nota, entretanto, não detalhou as medidas de controle adotadas nem como dará transparência à gestão de investimentos.
A nota oficial informou ainda que outras ações de controle estão sendo adotadas gradualmente pela diretoria da fundação, que estão em ''estreita sintonia com o Conselho Deliberativo e com o Conselho Fiscal''.
De acordo com a assessoria da Copel, o ex-presidente da Fundação Copel Otho Marder Ribas, que está sendo responsabilizado pela malversação dos recursos, continua trabalhando no Departamento de Planejamento e Financeiro da Copel porque até agora ele não foi condenado e por isso não pode sofrer penalidades. ''Essa situação, na visão da diretoria da Copel só muda se houver provas contra a gestão de Ribas'', informou o assessor.
A diretoria do Sindicato dos Funcionários das Empresas de Energia do Paraná deve se pronunciar sobre o assunto no decorrer desta semana.
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que acompanhou o caso, indagou qual o objetivo da fundação em contratar operadores do mercado financeiro de São Paulo e do Rio de Janeiro para comandar a mesa de aplicações dos recursos de previdência. De acordo com o deputado, um dos operadores que já foram demitidos também trabalhava para o Banco Santos, um dos bancos que recebeu aplicações da fundação além do que recomenda o Conselho Deliberativo. Veneri quis saber em que tipo de operações eles atuaram, mas não foi informado.

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