Curitiba - O procurador João Francisco Bezerra de Carvalho, do Ministério Público (MP) federal, encarregado de analisar o relatório da Kroll sobre a existência de irregularidades na administração da Fundação Copel, em 2003, disse ontem que ainda não tem elementos suficientes para embasar uma denúncia contra os ex-diretores da entidade. O procurador disse que nos próximos dias quer ouvir os funcionários da estatal, membros do Conselho Deliberativo da Fundação Copel que formalizaram a denúncia para depois tomar uma decisão.
Bezerra de Carvalho informou que precisa de mais elementos para decidir. Ele não quis mencionar as irregularidades contidas no relatório. No último final de semana esgotou-se o prazo de cinco dias para a Fundação Copel fornecer cópia do relatório da Kroll, formalmente solicitada pelos deputados da oposição na Assembléia Legislativa.
O deputado Durval Amaral (PFL), que encaminhou requerimento ao governador do Estado, à Copel e à Fundação Copel, no dia 11 de maio, disse que o prazo de cinco dias determinado pelo governador Roberto Requião (PMDB) para responder às consultas da Assembléia Legislativa se esgotou e ele não tinha sido atendido. A empresa de consultoria internacional da Kroll investigou as irregularidades que teriam sido cometidas pela administração da Fundação Copel, em 2003, que teriam provocados prejuízos avaliados em R$ 180 milhões aos cofres da entidade.
Durval Amaral acredita que esse prejuízo pode ser bem maior já que tem informações extra-oficiais de que a Fundação Copel teria comprado R$ 60 milhões em debêntures da Construtora Triunfo em 2003. A Triunfo está construindo o complexo Elejor, constituído pelas usinas no rio Jordão, Santa Clara e Fundão, a mesma que a Copel propôs a compra de 30% das ações que a construtora tem no empreendimento. De acordo com o deputado, essas operações revelam indícios de relações questionáveis.
O deputado Durval Amaral disse que se não houver resposta do governo, automaticamente será confirmada a denúncia sobre as irregularidades apresentadas e os membros da ex-diretoria da Fundação Copel deve sofrer riscos penais. ''Por enquanto só existem denúncias'', afirmou.
A Copel, encarregada pela Casa Civil de encaminhar a resposta, disse que o prazo para responder à Assembléia esgota-se hoje, portanto ainda está dentro do prazo solicitado. O pedido de informações foi protocolado na estatal no dia 14 de maio e ele está sob análise do departamento jurídico.

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