Curitiba - De acordo com o Ministério Público (MP) estadual, o levantamento dos créditos tributários da Copel, feito pela Associação dos Diplomados da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Adifea) da Universidade de São Paulo em setembro de 2002, é uma cópia de um trabalho que a própria Copel fazia desde 1998. A Adifea recebeu R$ 16,8 milhões pelo serviço, contratado sem licitação. A informação foi passada ontem pelos promotores de Justiça que investigaram as operações entre a Copel e Olvepar para os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Copel-Sercomtel.
Segundo os promotores Guilherme Barros Teixeira, Marcelo Alves de Souza e José Geraldo Gonçalves, em 1998, a Copel montou uma comissão de 20 funcionários para o levantamento das notas fiscais obtidas entre 1991 e 1996 referentes à aquisição de material para o ativo imobilizado da estatal. As notas fiscais comprovariam o direito de receber créditos tributários. A partir de então, o material foi atualizado constantemente.
Ainda segundo os promotores, o contador Cézar Bordin (um dos acusados pelo MP de participar do esquema fraudulento entre Copel e Olvepar) recebeu em agosto do ano passado o levantamento feito pelos funcionários, o qual apontava a possibilidade de obter R$ 167,4 milhões em créditos tributários. Esse é o mesmo valor apresentado pela Adifea dias depois. Segundo os promotores, que tiveram acesso ao levantamento da associação, até mesmo alguns erros matemáticos foram copiados. Bordin não foi encontrado pela Folha.
O presidente da CPI, Marcos Isfer (PPS), encaminhou, ontem, correspondências à Andifea solicitando dados da entidade e à USP, pedindo um posicionamento sobre a entidade.
O presidente da Andifea, José Guilherme Hausner, negou à reportagem que o trabalho feito para a Copel foi cópia de um anterior. Segundo ele, o valor do serviço, de R$ 16,8 milhões, é compatível com outros prestados para outras instituições. Essa foi a única vez que a Andifea prestou assessoria para a Copel, informou. ''Temos 50 anos de tradição, 9 mil associados e temos acórdãos de tribunais reconhecendo o nosso notório saber, o que dispensa licitação'', afirmou. (Com Maigue Gueths)

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