Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual ofereceu denúncia-crime ao Tribunal de Justiça contra o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), por supostas irregularidades cometidas na contratação do dentista Mário Capriglione para coordenar o programa de saúde bucal Cárie Zero, entre 1997 e 1999. Os promotores acusam Cassio de desrespeitar a Lei de Licitações para privilegiar o dentista, como forma de retribuir favores prestados por Capriglione durante a campanha à reeleição do prefeito.
Os ex-secretários municipais João Carlos Baracho e José Alberto Reimann também foram citados na denúncia feita pela divisão de Proteção ao Patrimônio Público Criminal do MP por não seguirem os trâmites legais para contratar serviços para a administração pública. Por ter sido beneficiado, Capriglione também terá que responder ao processo. Os quatro podem ser condenados a até cinco anos de detenção, além de pagarem uma multa a ser definida pela Justiça.
Em outra denúncia formulada pelo MP na esfera civil, cada um dos réus foi condenado a ressarcir os cofres públicos em R$ 45 mil, relativos ao salário pago a Capriglione durante os três anos em que coordenou o programa Cárie Zero. O advogado de Cassio no caso, Giovani Gionédis, conseguiu cassar a liminar, que não teve seu mérito julgado ainda pela 4ª Vara da Fazenda.
Procurado ontem pela reportagem da Folha, o procurador-geral do
município, Luiz Carlos Caldas, afirmou por meio de sua assessoria que não iria se pronunciar até receber a notificação oficial da denúncia.




Entenda o caso

28 de fevereiro de 2001 - O vice-prefeito Aires Domingues (PPS) e o presidente do partido, Carlos Alberto de Carvalho, o Carlinhos Gordo, são baleados. Aires morre na hora com dois tiros no rosto. Carlinhos Gordo é internado no Hospital Cemil em Umuarama.
3 de março - Carlinhos Gordo morre depois de depor à polícia, onde aponta o prefeito de Mariluz, Padre Adelino Gonçalves como suspeito.
5 de março - A polícia prende o ex-sargento da PM José Lucas Gomes, que confessa ter cometido o crime a mando do prefeito. Posteriormente Gomes mudou o depoimento e alegou ter sido torturado pela polícia para incriminar o padre.
8 de março - O padre tenta reassumir o cargo, mas a população depreda o prédio da prefeitura e o carro do prefeito, que teve de fugir sob escolta policial.
9 de março - O Tribunal de Justiça (TJ) decreta a prisão do prefeito.
20 de março - Padre Adelino se entrega em Curitiba e fica preso no Batalhão da Polícia de Guarda.
6 de agosto - Vereadores cassam mandato do prefeito por comprar pneus sem licitação e pagar contratos de trabalho sem recolher o Imposto de Renda.
14 de agosto - TJ concede habeas corpus e o prefeito sai da prisão.
5 de outubro - Tribunal Regional Eleitoral marca novas eleições no município.
16 de dezembro - 5.346 dos 6.596 eleitores comparecem às urnas. Ligado ao grupo do Padre Adelino, o comerciante Cido Pinheiro (PMDB) vence o ex-prefeito Luiz Albino Borgetti (PFL) por uma diferença de 526 votos.

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