MP faz limpa de corruptos no Paraná
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segunda-feira, 03 de julho de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
Seis prefeitos afastados por suspeita de corrupção, mais de 200 processos abertos por improbidade administrativa, indiciamento como réus de centenas de vereadores, de um ex-presidente do Banestado, de diretores de órgãos públicos e até secretários de Estado. Esse não é o saldo de nenhuma CPI contra corrupção no Brasil ou de ações políticas espetaculares com o objetivo de causar impacto na mídia. É o resultado, até aqui, do trabalho de seis anos dos promotores de Defesa ao Patrimônio Público do Paraná. Há outros casos de prefeitos cassados no Estado, onde a cassação se deu através do Legislativo Municipal, mas contou com respaldo de informações levantadas pelo MP.
Criado em 1994, o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa do Patrimônio Público, órgão vinculado ao Ministério Público (MP) do Paraná, é responsável, na área cível, pela agilização dos inquéritos e ações contra administradores públicos denunciados por corrupção no Paraná. Entre os alvos dos três promotores e dez auditores de contas públicas que trabalham no Centro estão até mesmo ex-funcionários do próprio órgão, demitidos por desvio de recursos da folha de pagamentos do MP.
Atualmente, existem 235 ações da Promotoria de Defesa ao Patrimônio Público tramitando no Poder Judiciário. A maioria delas, 160, é resultado de denúncias de improbidade administrativa contra prefeitos, vereadores e diretores de órgãos públicos municipais. Também existem 30 medidas cautelares, cinco ações de execução e outros 40 processos distintos.
Para um Estado como o Paraná, que possui 399 municípios, o volume de denúncias de danos ao patrimônio público é alto. Muitas vezes começamos a investigar um caso e acabamos encontrando uma série de outras irregularidades, conta o promotor do Centro, Mário Sérgio Albuquerque Schirmer. Dizemos que atiramos no que vemos e na maioria das vezes acertamos no que não conhecíamos.
Os municípios recordistas em improbidade administrativa para o MP são Carlópolis, com 30 ações propostas (o prefeito foi afastado do cargo por irregularidades), Goioerê, com 25 ações, e Foz do Iguaçu, com 19 denúncias algumas já julgadas em última instância.
O MP ganhou força como fiscalizador das administrações públicas em 1992, com a entrada em vigor da Lei Federal 8.429/92, que trata da improbidade administrativa. Antes, era mais difícil punir um político, mesmo que fosse comprovada a irregularidade em licitações ou desvio de recursos. O máximo que acontecia, depois de anos de disputas judiciais, era o ato ser considerado nulo e o administrador obrigado a devolver o dinheiro desviado. Agora, além das devoluções, o responsável pela irregularidade pode perder os direitos políticos por até dez anos, pagar multas que chegam a cem vezes o valor do prejuízo público e ficar proibido de prestar serviços a qualquer órgão público.
Segundo o coordenador do Centro Operacional, Arion Rolim Pereira, em anos eleitorais cresce o número de reclamações contra prefeitos e vereadores. Para nós, não interessa a motivação de quem faz a denúncia, abrimos um inquérito civil para investigar e se houver alguma irregularidade, vamos pedir a punição dos responsáveis com ressarcimento dos cofres públicos, independente das cores partidárias, afirma.
Para Pereira, o crescimento no número de políticos condenados por improbidade administrativa deve-se a uma conscientização popular. Corrupção sempre aconteceu, mas nos últimos anos as pessoas deixaram de achar normal as licitações fraudulentas ou as contratações irregulares de funcionários públicos, o que é muito bom, completa.
O processo iniciado por promotores de Defesa do Patrimônio Público com maior repercussão esse ano foi em Londrina, o segundo maior município do Estado. O prefeito Antonio Belinati (PFL) foi cassado pela Câmara de Vereadores depois que o MP encontrou irregularidades em sua administração. Nos municípios de Pérola, Carlópolis, Altônia, Itambé e Terra Roxa, os prefeitos também foram afastados depois que a promotoria encontrou irregularidades na administração.


