MP faz investigação no Banestado
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quinta-feira, 27 de agosto de 1998
Patrícia Zanin 
O Ministério Público do Estado (MP) está realizando várias investigações sobre o Banestado, algumas em conjunto com o Ministério Público Federal. A informação foi dada à Folha pelo chefe de gabinete da Procuradoria Geral de Justiça, Marco Antônio Teixeira. Segundo ele, o Ministério Público não pode entrar em detalhes sobre os procedimentos nem quantos são porque têm caráter sigiloso. Alguns envolvem rastreamento de dados com o Banco Central, explicou.
Esta semana, o candidato ao governo do Estado pelo PMDB, senador Roberto Requião, disse que havia encaminhado vários documentos que, segundo ele, apontavam irregularidades no Banco, mas não havia tido resposta do MP. De acordo com Teixeira, o Ministério não recebeu apenas cópias das atas de diretoria do Banestado, mas também outros dados. Talvez até mais importantes, mas que estão sendo objeto de uma investigação cautelosa, prudente.
Ele explicou que ainda não houve divulgação sobre as investigações porque elas não são conclusivas. Não vamos falar nada antecipadamente, até mesmo por vedação legal. Os processos são volumosos e as investigações são complexas e demoradas, afirmou.
Segundo ele, algumas ações conjuntas com o Ministério Público Federal estão sendo executadas há seis meses. Estamos atuando não apenas na esfera cível como também na esfera criminal, afirmou. São procedimentos instaurados e em andamento e as providências serão tomadas oportunamente, garantiu.
As principais irregularidades no Banestado a que se referiu Requião foram na Banestado Leasing na gestão do atual secretário de Estado dos Esportes Osvaldo Magalhães dos Santos. Ele foi acusado de conceder empréstimos sem garantia do patrimônio de empresas. Há 26 operações suspeitas sendo investigadas pela Justiça Federal e 15 processos administrativos em análise.
O presidente do Banestado, Manoel Campinha Garcia Cid, Neco Garcia, disse ontem à Folha que fez tudo que lhe cabia em relação às denúncias de irregularidades no Banestado. Os casos são públicos e notórios. Parte deles já está na Justiça Federal e estão sendo investigados. As pessoas deverão sofrer penalidades porque agora também entrou a Polícia Federal, que está investigando pessoas demitidas e outras que continuam em atividade. Elas fizeram uma administração temerária. O dinheiro público que pertence ao povo do Paraná foi mal administrado, garantiu.
Sobre a Banestado Leasing, Neco Garcia afirmou: Não posso dizer que é o maior escândalo, mas foi o volume que deu o maior prejuízo. A dívida da Leasing com sócio-majoritário, que é o Banco, foi de R$ 423 milhões. Foram operações feitas sem garantia.
O coordenador político da campanha de Lerner, Cândido Martins de Oliveira, disse que o governador não quer se antecipar a nenhuma decisão judicial. O senador Requião faz acusações gratuitamente. Transforma os indícios em provas, disse Cândido. Em relação às atas da diretoria do Banestado, ele afirmou que o Banco Central proíbe a divulgação. Mas em nenhum momento o governo está querendo esconder esse assunto. A maior prova é que as reuniões da diretoria foram gravadas, mas o BC, por regra do sistema financeiro, não autoriza a sua divulgação.
Requião retirou as atas do Banestado de sua home page por determinação do Supremo Tribunal Federal. Com a garantia de que a Procuradoria Geral da República vai instaurar inquérito para apurar o conteúdo das denúncias.
Anteontem, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) negou duas liminares - uma do Banestado e outra da assessoria jurídica de Lerner - que tentavam proibir a divulgação no horário gratuito de Requião de atas do Banestado. O desembargador Tadeu Loyola entendeu que não havia iminente perigo nessa divulgação. (Colaboraram Carmem Murara e Leandro Donatti)


