MP exige acesso para trabalhadores
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terça-feira, 22 de março de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), e o comando de greve do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), têm até o final da tarde de hoje para garantir o livre acesso dos servidores aos seus locais de trabalho nas áreas de atendimento à criança e ao adolescente educação, saúde e ação social. É o que recomenda a promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula. A promotora encaminhou ontem à administração e ao sindicato recomendações administrativas em reação à paralisação da categoria que completa hoje 17 dias.
''Pelas notícias veiculadas pela imprensa a greve tem reflexos no fornecimento da merenda, paralisação do atendimento de escolas e creches, atendimento de saúde relacionados à criança e ao adolescentes e a situação crítica de servidores que querem trabalhar e estão sendo impedidos'', disse a promotora. ''Servidores estiveram aqui na promotoria dizendo que não estariam conseguindo entrar porque o comando de greve não estaria deixando. Algumas disseram até que teriam sido ameaçadas'', relatou. ''Recomendamos no caso do sindicato para que o comando e o presidente cesse em 24 horas a prática de todo e qualquer ato que vise impedir servidores de terem acesso aos locais de trabalhos. À prefeitura recomendamos ao chefe do poder Executivo que tome providências em 24 horas visando resguardar o acesso seguro dos servidores públicos que atuam nas áreas afetas à infância e juventude - educação, saúde e ação social. Dependendo da situação, na segunda-feira, se não tomarem providências, caberá uma ação judicial'', adiantou. ''Na luta entre o rochedo e o mar quem perde é o marisco e, em Londrina, está acontecendo exatamente isso.'' As assessorias jurídicas da prefeitura e do sindicato estão estudando as recomendações encaminhadas pela promotora.
O promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, que encaminhou dia 17, recomendações administrativas para prefeitura e sindicato para normalização do atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), está analisando as providências tomadas para garantir o acesso da população aos postos. ''Hoje (ontem) o município me trouxe vários documentos. Tenho que ver o que está sendo dito e se está sendo suficiente ou não. Continuo entendendo que o que está sendo feito é pouco para que se preserve o atendimento na área da saúde. Do sindicato ainda não recebi nada'', afirmou, se referindo à solicitação feita às partes de que encaminhem por escrito as medidas que estariam tomando para atender à recomendação.
''Existe um levantamento do aumento da demanda nos hospitais. Há uma superlotação. Poucos atendimentos estão sendo feitos nos postos, e há informações de que as pessoas estão tendo dificuldades, casos que demonstram que não está havendo uma mudança'', disse o promotor. Conforme informações encaminhadas para a promotoria, no final de semana, o Hospital Infantil (HI) registrou um aumento no atendimento de urgências de 169%. O Hospital da Zona Norte (HZN), o índice é de 40% a 50% de aumento nos atendimentos e na Santa Casa, 36%. ''O que não é urgência hoje, será amanhã. É um acúmulo de problemas de saúde.''
Além da recomendação administrativa, Tavares instaurou um procedimento administrativo dia 16, ''visando basicamente apurar os reais transtornos à população e objetivando adotar medidas judiciais para assegurar o atendimento adequado''.


