MP estuda recurso contra libertação de doleiro
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) federal ainda não definiu se ingressará com recurso para cassar o habeas corpus concedido ao doleiro Alberto Youssef pela 2 Vara Federal Criminal, no final da tarde de quinta-feira, como divulgou ontem a Folha. Youssef teve prisão preventiva decretada a pedido do MP federal no dia 28 de outubro de 2003 e estava preso desde 2 de novembro na sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba. Ele foi liberado logo após a decisão da Justiça.
O advogado Antônio Augusto Figueiredo Basto baseou seu pedido de habeas corpus com os argumentos de que Youssef é réu primário, não possui antecedentes criminais e não seria uma pessoa violenta. ''O processo apura sonegação fiscal, as investigações estão prontas e não havia por que mantê-lo preso'', explicou Figueiredo. De acordo com ele, seu cliente também estava preso além do tempo legal permitido para prisão preventiva, que é de 81 dias.
O processo elaborado pelo MP federal inclui nove acusações contra Youssef, sendo quatro crimes de ordem tributária, três contra o sistema financeiro (evasão de divisas, manutenção de contas ilegais no exterior e falsa identidade para a realização de operações de câmbio), formação de quadrilha e falsidade ideológica.
Ele é acusado de sonegar R$ 118 milhões em impostos, que deveriam ter sido pagos pela Youssef Câmbio e Turismo, agência de câmbio de sua propriedade em Londrina, entre 1996 e 1999; de envio de mais de R$ 30 milhões ilegalmente ao exterior através de contas CC-5 (exclusiva para não-residentes no País); e de movimentar pelo menos US$ 3 milhões em uma conta de sua cunhada, Cristina Fernandes da Silva, na agência do Banestado em Nova York.
Essa não é a primeira denúncia contra Youssef. O Ministério Público (MP) estadual já o denunciou por integrar esquemas de desvio de dinheiro das prefeituras de Londrina e Maringá e da Companhia Paranaense de Energia (Copel).


