MP entrega fitas para Criminalística
Lúcio Horta
De Londrina
O promotor Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), entregou ontem à tarde ao Instituto de Criminalística de Londrina as fitas de áudio e vídeo, além de um CD, que comprovariam uma tentativa de extorsão dos vereadores Orlando Bonilha (PDT) e Jaci Aguiar (PPB) contra o prefeito Antonio Belinati (PFL). O material foi recebido pelo chefe do Instituto, Darci Dória de Faria, e pelo chefe-adjunto, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho.
Queremos ver a autenticidade das fitas, se não houve montagem e, principalmente, o conteúdo, disse o promotor Cláudio Esteves. Ele acrescentou que, caso as fitas não sejam as originais, vai requisitá-las ao prefeito.
As fitas que comprovariam a tentativa de extorsão foram divulgadas no último sábado pelo próprio Belinati, em entrevista coletiva à imprensa, e encaminhadas ontem à tarde ao Ministério Público. O prefeito acusou os vereadores Bonilha e Aguiar de negociar em nome de outros vereadores um valor R$ 100 mil para cada um para barrar a Comissão Processante (CP) instalada na Câmara. A CP investiga denúncia de gastos excessivos de publicidade e promoção pessoal na inauguração Pronto Atendimento Infantil (PAI), em março do ano passado.
Segundo a assessoria de imprensa do prefeito, os áudios do CD e da fita cassete são diferentes e a fita de vídeo contém apenas imagens gravadas no próprio gabinete do prefeito. No caso do CD, a gravação seria integral (sem interrupção) e a fita cassete foi editada, ressaltando os trechos onde se caracterizaria a tentativa de extorsão.
O chefe-adjunto do Instituto de Criminalística, Geraldo Gonçalves, disse que vai nomear três peritos diferentes para realizar o trabalho, um para cada material. Ele acredita que em cerca de 10 dias o laudo pericial possa ser concluído. Além da autenticidade e da melhoria das imagens e do áudio, a criminalística fará a transcrição das fitas e irá verificar se não houve trucagem no material apresentado. Além disso, espera avaliar se há correspondência do áudio com as imagens gravadas em vídeo.
Gonçalves adiantou que deverá ser mais fácil trabalhar na fita cassete, que é analógica, do que no CD, que passou por um processo de digitalização. Quando você grava uma conversa com fita magnética, ela capta tudo; quando digitaliza alguma coisa, cria-se um padrão. Tudo que tiver acima ou abaixo desse padrão se perde, explicou.
Ainda segundo Geraldo Gonçalves, em tese é mais fácil manipular uma gravação realizada em CD ressaltando, eliminando ou acrescentando determinado trecho, por exemplo. Por isso, ele disse que vai requisitar o original em fita cassete do material que foi apresentado em CD. Não creio que originalmente isso tenha sido gravado em CD, explicou. O perito destacou, no entanto, que o trabalho da perícia poderá constatar se o material foi ou não manipulado.
O promotor Cláudio Esteves informou que, caso seja comprovado pericialmente que houve tentativa de extorsão contra o prefeito Antonio Belinati, será aberta uma investigação para apurar o caso. Mas ainda é prematuro afirmar qualquer coisa, ponderou.





